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A Herdade vence Sophia de melhor filme e realização, mas Paulo Branco não quis levar o prémio

A Herdade estava nomeado para 15 categorias e recebeu sete galardões. Variações, de João Maia, arrecadou também sete prémios, entre os quais os de melhor representação masculina, para Sérgio Praia. A cerimónia devia ter acontecido em Março, mas foi adiada por causa da pandemia.

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Albano Jerónimo em A Herdade DR

A Herdade, de Tiago Guedes, venceu na quinta-feira os prémios Sophia de melhor filme e melhor realização, numa edição em que o produtor desta obra, Paulo Branco, pediu o fim das “pequenas guerrilhas” no cinema português.

Na oitava edição dos prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema no Casino Estoril (Cascais), o filme A Herdade estava nomeado em 15 categorias, tendo conquistado sete galardões, entre os quais os de melhor filme, realização e interpretação feminina, por Sandra Faleiro e Ana Vilela Costa.

Coube a Paulo Branco receber o prémio de melhor filme, mas o produtor deixo-o em suspenso: “Não levo o prémio, levarei para o ano se alguma coisa mudar entre nós todos”.

Recordando que quando começou a trabalhar, na década de 1970, “todos tinham prazer que os outros filmassem e com meios muito inferiores aos que existem agora”, Paulo Branco criticou as “pequenas guerrilhas”, os “pequenos golpes” e as invejas entre os profissionais do cinema e audiovisual.

“Não vamos a lado nenhum se for assim. Não podemos exigir às instituições se entre nós não mudarmos completamente a maneira como nos olhamos uns aos outros. Há espaço para tudo, para os maus, para os medíocres e para os bons”, disse o produtor.

Outro dos filmes favoritos desta edição era Variações, de João Maia, tendo arrecadado também sete prémios, entre os quais os de melhor representação masculina, para Sérgio Praia – no papel de António Variações –  e para o actor Filipe Duarte, distinguido a título póstumo como melhor actor secundário.

Houve destaque ainda para o facto de o realizador Tiago Guedes ter vencido três prémios da Academia Portuguesa de Cinema: o de melhor realizador com A Herdade, o de argumento original, repartido com o escritor Rui Cardoso Martins por este filme, e o de melhor argumento adaptado pelo filme Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, que também realizou.

Ao longo da noite, alguns dos premiados, como Sandra Faleiro e Edgar Medina – premiado pela série Sul –, manifestaram solidariedade para com os profissionais do sector que estão “a passar dificuldades com enorme dignidade e esforço”.

“A pandemia foi uma espécie de lupa para o sistema em que estamos a viver; não há política cultural. Estamos a viver tempos muito difíceis”, lamentou Sandra Faleiro, protagonista de A Herdade.

Nesta edição dos Sophia, Tio Tomás, a Contabilidade dos Dias, de Regina Pessoa, foi eleita a melhor curta de animação, Raposa, de Leonor Noivo, a melhor curta-metragem documental e Fábrica, de Diogo Barbosa, a melhor curta de ficção.

Até que o Porno nos Separe, de Jorge Pelicano, venceu o prémio de melhor documentário.

Os Prémios Sophia são uma iniciativa da Academia Portuguesa de Cinema, instituição que atribuiu ainda prémios de carreira aos realizadores Fernando Matos Silva, António-Pedro Vasconcelos e Alfredo Tropa, que morreu há pouco tempo. 

A cerimónia deveria ter acontecido em Março, mas foi adiada para Setembro por causa da covid-19.

Numa edição em que esteve presente o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, foi ainda transmitida uma mensagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que disse acompanhar atentamente o cinema português, “antes e durante esta pandemia”, e que conhece os problemas do sector.

“Os problemas legais, as questões burocráticas, os entraves orçamentais, a falta de sensibilidade cultural e política e, como se não bastasse tudo isto, os problemas sanitários, afetando gravemente a produção, a distribuição e a exibição”, disse.

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