Vieira retira Costa e Medina da lista de honra

Presidente do Benfica diz ter retirado todos os titulares de cargos públicos do apoio à sua recandidatura à presidência do clube.

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LUSA/TIAGO PETINGA

Luís Filipe Vieira retirou da sua comissão de honra à recandidatura a presidente do Benfica todos os titulares de cargos públicos, entre os quais estavam o primeiro-ministro António Costa e Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa .

Horas antes de o primeiro-ministro se deslocar a Belém para a reunião semanal com o Presidente da República, e depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter anunciado que queria ouvi-lo sobre a polémica do apoio a Vieira, o presidente do clube “encarnado” deu conta deste facto através de um comunicado.

“Depois de assistir nos últimos dias a uma das campanhas mais hipócritas e demagógicas de que tenho memória, entendo ter chegado o momento de reagir”, afirma Vieira logo no início do comunicado.

Na nota tornada pública, o presidente do Benfica diz que se vivem “tempos em que a justiça passou a ser feita no Facebook, nas redes sociais e nos media”. Tempos, acrescenta, “em que os juízes foram substituídos por jornalistas e comentadores”. Profissionais que diz terem agido num “registo de excessos, sem conhecimento dos factos, mas com a cumplicidade de quem os vai parcialmente alimentando com o único objectivo de contaminar a percepção pública, vão minando o espaço mediático”.

Tempos ainda, refere, “em os jornais pré-anunciam condenações e em que líderes partidários e políticos mais populistas, propositadamente, esquecem um dos princípios básicos em que se assenta o nosso Estado de direito”.

“Tempos em que falta seriedade e rigor. Tempos em que, quando a justiça finalmente chega, já não há justiça. Tempos em que o bom-nome e a reputação das pessoas se perdem na avalancha mediática que atropela qualquer presunção de inocência”, acrescenta.

O presidente do Benfica diz também que “nos últimos quatro dias, António Costa, Fernando Medina e muitos outros foram atacados de forma incompreensível e torpe. “Entenderam dar-me [o apoio], como já o tinham feito em 2012 e 2016 sem que se tenha assistido a qualquer tipo de alarido”, lembra, criticando a "percepção pública que, de forma concertada, os media foram ‘construindo’, deturpando e usando como catalisador de uma campanha populista de difamação”.

O presidente do clube da Luz diz estar de “consciência tranquila” e garante: “Se for condenado, no futuro, em algum dos processos de que nestes dias tanto se fala, serei o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica”.

Acusa ainda “os líderes partidários, e alguns dos políticos que mais se indignaram nestes dias” de “estarem mais preocupados em combater a tendência de transformar em sentença transitada a notícia de uma suspeita ou de uma acusação judicial”.

Vieira diz ser seu dever “agradecer a todos os benfiquistas” que lhe manifestaram apoio, mas acrescenta que não pode permitir “que instrumentalizem” o Benfica”. “Não posso tolerar que este clima difamatório se prolongue, nem que seja aproveitado para atacar de forma indevida o carácter e a seriedade de quem se limitou a expressar-me, enquanto sócio, o seu apoio.”

Por fim, agradece a todos a disponibilidade manifestada e conclui: “É triste que, 46 anos depois do 25 de Abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita.”

Questionado sobre a retirada do nome do líder do executivo socialista, o Governo não quis comentar o assunto. No final do Conselho de Ministros desta quinta-feira, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, respondeu aos jornalistas que não tinha “qualquer comentário a fazer”.

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