Ela dança num longboard — e dá boleia a quem apanhar

Viu um vídeo de longboard dancing e quis experimentar a modalidade. Agora é ela quem ensina. Valeriya Gogunskaya trocou a Rússia por Portugal e está a fazer crescer uma comunidade que dança sobre rodas em Santa Cruz. 

Passar por Santa Cruz, em Torres Vedras, significa encontrar, quase de certeza, alguém a fazer manobras em cima de um longboard. Quem o assegura é Valeriya Gogunskaya — e é também ela uma das grandes responsáveis por isso. Aos 28 anos e a viver em Portugal há quatro, a jovem russa encontrou cá "qualidade de vida" e tranquilidade que a convenceram a ficar. Consigo trouxe a paixão pelo longboard dancing — e disseminou-a pela localidade. 

O longboard dancing é "o casamento entre o freestyle skate e o longboard surf", que acrescenta ainda movimentos que se assemelham a uma dança. Piruetas, jogos de pés e braços e muitos desafios à gravidade. Tudo em andamento, sem se deixar intimidar pela velocidade. Valeriya conheceu a modalidade através de um vídeo de um praticante da sul-coreano: "Uau, o que é isto? Quero fazer", pensou. Começou a praticar na Finlândia, onde estudava na altura e, quando em 2015 veio a Portugal fazer voluntariado num surf camp, a vontade cresceu. 

"As pessoas começaram a pedir-me para dar aulas e começámos a criar uma comunidade", conta. Em 2017, juntou-se a uma associação encarregada de organizar eventos de surf e deu início aos de skate. Agora, são feitos encontros mensais, "onde todos podem experimentar" dançar sobre rodas. Além dos encontros mensais, Valeriya organiza também longboard camps: acampamentos de uma semana, onde os participantes podem fazer aulas de longboard, surf, entre outras actividades. Os próximos acontecem entre os dias 4 e 11 de Outubro e os dias 11 e 18 do mesmo mês. Para já, o acampamento é em Santa Cruz, mas Valeriya afirma que quer estendê-lo a outros pontos: este ano, estava previsto para Tenerife, mas a pandemia veio mudar-lhe os planos. As informações e inscrições podem ser feitas através da página de Instagram ou do site

Apesar de a modalidade ter começado "mais com homens", há cada vez mais mulheres interessadas em praticar. Em Santa Cruz, o facto de ser uma mulher à frente do projecto incentiva outras a participar, acredita a jovem. "Se compararmos com a cultura do skate, ela é muito masculina e 'agressiva'. Apesar de estar a mudar, é dominada por homens. Uma mulher entra num skate park e sente-se intimidada", afirma. O longboard é mais inclusivo. E o casamento de ambos não podia ser mais feliz. Mariana Durães

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