Pinto da Costa e as autoridades: “No que toca ao desporto, são ignorantes e oportunistas”

Presidente do FC Porto condena, na revista Dragões, a decisão de proibir a presença de espectadores nos estádios e pavilhões.

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Ines Fernandes

O presidente do FC Porto, uma das vozes que já se levantaram contra a decisão das autoridades de não permitirem a presença de espectadores nos eventos desportivos, voltou a clamar por coerência e igualdade de tratamento. Na actual edição da revista Dragões, Pinto da Costa deixa um lamento e uma crítica aberta: “Infelizmente, no que toca ao desporto, as nossas autoridades padecem de dois grandes problemas: são ignorantes e oportunistas”.

Em causa está a directriz da Direcção-Geral da Saúde (DGS), entretanto também defendida por António Costa, primeiro-ministro, que proíbe o regresso do público aos estádios e aos pavilhões. O argumento, sublinhado pelo chefe do Governo, é o da alegada diferença de comportamento dos portugueses num espectáculo desportivos e nos demais eventos em que já é autorizado público.

“Enquanto no futebol, no andebol, no basquetebol, no hóquei em patins e no voleibol os eventos têm de ser realizados à porta fechada, assistimos todos os dias a imagens que só nos podem espantar. As praças de touros do Sul de Portugal estão quase cheias. Os concertos de música e espectáculos de comédia têm plateias preenchidas. Também não falta gente às iniciativas políticas dos partidos e a grandes cerimónias religiosas”, denuncia o presidente do FC Porto, lembrando que noutros países essa barreira imposta ao desporto já foi levantada.

Pinto da Costa vai mais longe, de resto, e concretiza as acusações que dirige às autoridades nacionais. “Ignorantes porque não sabem reconhecer a importância social e económica de actividades que envolvem milhões de pessoas (...), que pagam muitos milhões de euros em impostos e que contribuem para o prestígio do país. E são oportunistas porque há certos momentos em que nunca faltam. Seja nas finais da Taça, nos jogos da Selecção ou nas alturas em que se assinala algum feito relevante de um desportista português, lá estão sempre os políticos prontos para aparecer e para se colarem ao sucesso que a maior parte das vezes não ajudaram a construir”, expõe.

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