Kämna, o “pensador”, vence num Tour limpo de covid-19

Na quarta-feira haverá, por certo, duelo entre os principais candidatos à vitória final.

Kämna no Tour 2020
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Kämna no Tour 2020 LUSA/Stuart Franklin / Pool

Lennard Kämna, ciclista da Bora, venceu nesta terça-feira a etapa 16 da Volta a França. O ciclista alemão – cuja singularidade e carácter “pensador” já foi contado nas Histórias do Tour – superou 22 colegas de fuga para chegar isolado à meta instalada em Villard-de-Lans.

Entre os favoritos ao triunfo no Tour houve um duelo tímido, sem diferenças feitas pelos sempre audazes Tadej Pogacar e Miguel Ángel López. E pouco se alterou na classificação geral, ainda liderada por Primoz Roglic.

Foram 785 testes, 156 dos quais a ciclistas. Resultado: nada mais nada menos do que zero testes positivos à covid-19. Numa grande demonstração de cumprimento sanitário, o staff e os atletas da Volta a França não registaram um único caso de infecção pelo novo coronavírus, naquela que foi a primeira notícia importante desta retoma do Tour, após o dia de descanso.

Com todo o pelotão autorizado a continuar a competir, foi para a estrada uma etapa de desfecho imprevisível. Com “sobe e desce” permanente, o percurso era, no papel, ideal para que vingasse uma fuga, mas também para um eventual duelo entre os favoritos – a subida de 1.ª categoria apresentada a 20 quilómetros da meta poderia seduzir o sempre ofensivo Tadej Pogacar, ainda que a lógica ditasse que o esloveno guardasse energia para a duríssima etapa 17.

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O perfil da etapa desta terça-feira DR

Na frente, 18 ciclistas conseguiram destacar-se do pelotão, mais tarde apanhados por outros cinco, ficando 23 corredores com uma diferença de mais de dez minutos para o grupo dos favoritos.

Três dos nomes na fuga eram Carapaz, Sivakov e Amador, todos da Ineos, e outro era o renomado Warren Barguil, o mais bem colocado dos fugitivos (a cerca de meia hora da camisola amarela).

Com este cenário, o pelotão não tinha por que motivo pressionar a fuga e impedi-la de ter sucesso, já que a liderança de Roglic nunca esteve em causa. E a etapa seguiu um rumo relativamente tranquilo até à contagem de primeira categoria, apresentada aos ciclistas a 20 quilómetros da meta.

Na frente, houve ataque de Quentin Pacher, numa empreitada de coragem que desde logo pareceu condenada ao fracasso, pelo poderio dos companheiros de fuga. E acabou por ser apanhado por Carapaz, Reichenbach, Kämna e Alaphilippe.

Mais atrás, descolou Egan Bernal – provavelmente por pura incapacidade, apesar de não ser de excluir a possível gestão de esforço para atacar a vitória numa das próximas etapas –, que chegou a mais de dez minutos dos favoritos.

Na fuga, Lennard Kämna conseguiu deixar Carapaz - cuja postura na etapa seria merecedora de algo mais - e os restantes fugitivos para trás, fazendo um autêntico contra-relógio nos últimos 15 quilómetros da etapa. O ex-campeão mundial júnior da especialidade fez um bom “crono”, que o levou isolado à meta.

Cerca de dez minutos depois foi o pelotão a chegar à última escalada do dia. Não se esperava que fossem feitas grandes diferenças, mas Pogacar e López, sempre ofensivos, tentaram testar Roglic. Sem sucesso.

Para esta quarta-feira haverá, por certo, duelo entre os principais candidatos à vitória final. Com duas escaladas de categoria especial, nos Alpes, a segunda a coincidir com chegada em alto, Roglic dará como garantidos ataques à liderança. No mínimo, de Tadej Pogacar e López. Mas não deverão ser os únicos.

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