Incêndio em Proença-a-Nova é “vertiginoso” com média de “mais de 500 hectares de área ardida por hora”

O incêndio que começou em Proença-a-Nova no domingo “tem cerca de 60 quilómetros de perímetro”, disse o comandante operacional distrital. No terreno estão mais de mil operacionais e o concelho de Oleiros é o que mais preocupa.

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O fogo deflagrou há 29 horas LUSA/PAULO CUNHA

O incêndio que deflagrou no domingo em Proença-a-Nova, e que se estendeu aos concelhos de Castelo Branco e de Oleiros, ainda lavra e está a ser combatido por mais de mil operacionais. Foi classificado pelo Comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, como um fogo “algo vertiginoso”, com uma média de “mais de 500 hectares de área ardida por hora”.

Cerca de metade do perímetro do incêndio já está dominado, referiu o comandante durante uma conferência de imprensa, no final da tarde desta segunda-feira. “É um incêndio muito grande, tem cerca de 60 quilómetros de perímetro”, explicou o responsável. Da zona já dominada, cerca de 30% está consolidada, acrescentou Belo Costa. “As áreas que merecem maior atenção estão todas no concelho de Oleiros, mais a Norte”, apontou.

O incêndio começou há 29 horas e, pelas 19h20 desta segunda-feira, estavam no terreno 1041 operacionais, apoiados por 342 veículos e oito aeronaves. E, apesar de o incêndio continuar activo, o responsável destacou que “a estratégia resultou”, ainda que “não tão rapidamente como desejaria”. “Os trabalhos estão a evoluir muito favoravelmente a esta hora”, indicou.

Cerca de 30 pessoas retiradas de casa em Oleiros

O incêndio já tinha desalojado cerca de 23 pessoas entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira, nas aldeias de Bafareira e Rabisca e de povoações vizinhas de Oleiros, disse à Lusa o presidente da Câmara, Fernando Marques Jorge. Esta tarde, esse número aumentou: mais oito pessoas foram retiradas de suas casas por precaução. 

Devido à ameaça das chamas, foram retiradas oito pessoas das localidades de Pisureira e Rouco, segundo o autarca. As restantes aldeias deste concelho do distrito de Castelo Branco “estão, de uma maneira geral, defendidas”, embora toda a encosta virada para o rio Zêzere continue “muito problemática”, referiu Fernando Marques Jorge.

O presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo, considerou esta segunda-feira que “houve insuficiência de meios” na fase inicial do combate ao incêndio que deflagrou no domingo naquele concelho.

“Foi um fogo muito rápido na sua progressão e houve, de facto, insuficiência de meios na sua parte inicial”, refere o autarca num comunicado enviado à Lusa, sobre o ponto de situação do incêndio. João Lobo justificou a afirmação com o exemplo da povoação das Fórneas, que esteve “sem carros de combate” e onde “a população teve de se unir e fazer um esforço para salvaguardar a aldeia”.

No domingo, dois bombeiros sofreram ferimentos graves durante o combate a este incêndio, onde também um carro dos bombeiros ardeu, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC). Na manhã desta segunda-feira, sabia-se que os dois bombeiros sofreram queimaduras de segundo grau e que foram transportados para o hospital de Coimbra, estando livres de perigo, de acordo com o que disse fonte da ANEPC à agência Lusa.

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