Cristina sentiu-se “emigrante” na SIC e diz que fica na TVI até ao fim dos seus dias

Canal de Queluz renova a informação lançando novo estúdio. Entrevistada no Jornal das 8 deste domingo, a apresentadora afirmou que o seu programa Dia de Cristina estreia dentro de poucos dias, mas antes vai fechar o ciclo do Você na TV! encerrando o programa com Manuel Luís Goucha.

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O jornalista Pedro Pinto mostrou o novo estúdio a Cristina Ferreira um pouco antes da estreia do Jornal das 8 Daniel Rocha
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Pedro Mourinho e José Alberto Carvalho vão ser os pivots do Jornal das 8 de segunda a sábado Daniel Rocha
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Os jornalistas responderam ao apelo da direcção e encheram a redacção no domingo à noite Daniel Rocha
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É raro um estúdio de televisão ter o chão negro porque reflecte tudo. Se é difícl manter limpo? "Ai, filha, nem me digas nada...", lamenta Natércia. Daniel Rocha

Foi uma noite de arranque da nova imagem da informação da TVI, mas onde o Jornal das 8 serviu de palco para as novidades que aí vêm na estação de Queluz de Baixo e sobretudo para abrir o ecrã para Cristina Ferreira. A apresentadora e nova directora de Entretenimento e Ficção e administradora não-executiva deu uma entrevista de cerca de 15 minutos no noticiário em que anunciou que voltará ao matinal Você na TV! para “encerrar o programa” com Manuel Luís Goucha e que o seu novo programa arrancará logo no dia seguinte.

No entanto, o tradicional programa da manhã que a TVI tem no ar há 16 anos - e onde a apresentadora se estreou precisamente a 13 de Setembro - vai ser emitido alternadamente com o novo programa Dia de Cristina uma vez que este não terá dia certo para ser emitido, segundo especificou Cristina Ferreira. Mas não quis revelar em que consiste nem a data exacta - prometeu só que “está quase, quase, a dias de acontecer”. “Esta é a sinopse: é tudo o que a Cristina quiser”, afirmou. “Pode ser em qualquer dia; começa cedo e acaba tarde”, contou, com pessoas para entrevistar entre outros conteúdos. “No último ano e meio consegui que olhassem para o programa da manhã [da SIC] de uma maneira diferente.”

Cristina Ferreira fez questão de salientar que a entrada como accionista de uma quota de 2,5% da Media Capital que lhe custaram um milhão de euros - que comprou com o dinheiro das suas “poupanças” ao longo destes anos todos - mostra que veio para ficar. A apresentadora vincou que este é o seu “projecto final profissional”. “Não vou para mais lado nenhum; é aqui que vou ficar até ao fim dos meus dias.”

A apresentadora regressa à TVI “com um novo cargo” para ajudar a renovar a estação e justificou-o com o facto de sempre se ter sentido “emigrante” nos últimos dois anos na SIC. “Eu saí [da TVI] a saber que voltava; não sabia quando nem em que moldes”, afirmou, argumentando que foi “à procura de melhores condições”, mas sentiu sempre falta dos “amores” que estavam na TVI. “Eu gostei muito de ganhar [as audiências na SIC] Eu nunca me senti feliz por a TVI perder. São coisas diferentes.”

Sobre os dois anos na estação da Impresa, a apresentadora diz que sempre foi bem tratada mas lamentou que o projecto pelo qual se mudou “acabou por não ser exactamente como tinha imaginado” e entrou com funções para as quais acabou por não ser “muito chamada”. “Podia lá ter ficado mais 20 anos, mas quando surge este convite...” Admite que rompeu o contrato mas está “completamente tranquila” - “Enquanto lá estive dei o melhor de mim, dei tudo à SIC”, argumentou, contando que foi avisando sobre o seu descontentamento mas admitindo que os responsáveis da Impresa tenham sido “apanhados de surpresa” com a mudança para a TVI.

A apresentadora e empresária confirma que no contrato que assinou com a SIC “há lugar a indemnização” por causa da sua saída e que sabe que tem que pagar. “Não há qualquer alternativa. Estava lá, está escrito. Eu pago. O resto trataremos em tribunal se for esse o caso.” Mas os 20 milhões de euros exigidos pela SIC são “um número que não tem qualquer fundamento” e, garante, não lhe tiram o sono.

Novo estúdio para o arranque de um ciclo

O estúdio que a TVI estreou neste domingo à noite marca o arranque da reestruturação da informação do canal de Queluz. Para além do cenário, o novo estúdio, que foi planeado e executado pelas equipas da casa lideradas por Filipe Terruta, é também um concentrado de tecnologia, com diversos painéis de led, e permite construir três cenários. No enorme espaço de chão de linóleo preto brilhante - que faz as dores de cabeça da senhora da limpeza, Natércia Fernandes - serão feitos o Jornal da Uma, o Jornal das 8 e o programa da noite da TVI24. 

De segunda-feira a sábado o Jornal das 8 estará a cargo de Pedro Mourinho e José Alberto Carvalho alternadamente; o Jornal da Uma será apresentado por Pedro Pinto, o mesmo pivot que fará o noticiário da noite de domingo com Paulo Portas que mantém o seu espaço Global. À segunda-feira, Miguel Sousa Tavares mantém-se no Jornal das 8, mas com outro figurino: em vez de o editar será apenas comentador e entrevistador num espaço designado A Meu Ver.

Respondendo à chamada da direcção de Informação, a redacção da TVI e TVI24 estava presente em peso. Em vez da dezena de jornalistas que estavam escalados para trabalhar neste domingo, a redacção encheu-se de sorrisos atrás das máscaras - praticamente toda a gente usava, com excepção de Cristina Ferreira e, por alguns momentos, do CEO Manuel Alves Monteiro -, de selfies, barulho e salvas de palmas no primeiro intervalo do noticiário e no final. Há também palmadas nas costas, cumprimentos ao longe de Sousa Tavares aos pivots, um “ó sr. Paulo Portas, como está?” alto e bom som de Cristina Ferreira para o antigo líder do CDS que também veio ao noticiário marcar presença.

Os primeiros minutos do Jornal das 8 foram seguidos em silêncio na redacção - o director-geral Nuno Santos, praticamente o único em roupa informal, e o director de Informação acompanharam os primeiros minutos na régie. “A mudança começa agora”, diz o pivot José Alberto Carvalho sentado ao lado de Pedro Mourinho quando ambos vão falando da nova informação da TVI e promete: “Queremos falar para todos.”Antes da notícia de abertura sobre o milhão de euros que o juiz Rui Rangel terá recebido indevidamente e as acusações que constam do processo Lex, ainda há tempo para prometer (e promover) o reencontro com Cristina Ferreira mais à frente no jornal. “Isto assim é que é preciso: sem erros, tudo certinho”, ouve-se de alguém quando entra o separador do primeiro intervalo.