Suga é o favorito para suceder a Abe como primeiro-ministro do Japão

Chefe de gabinete do Governo japonês é quem está na calha para ganhar as eleições internas do Partido Liberal Democrático. Vencedor da votação assume lugar de Shinzo Abe, que sai por motivos de saúde.

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Yoshihide Suga deve ser eleito presidente do Partido Liberal Democrático japonês Reuters/ISSEI KATO
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Yoshihide Suga (ao centro), compete com os ex-ministros Fumio Kishida e Shigeru Ishiba Reuters/POOL
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Merchandising político de apoio a Suga Reuters/STAFF

O Partido Liberal Democrático (LDP) elege na segunda-feira um novo líder e o mais que provável próximo primeiro-ministro do Japão. Yoshihide Suga é o grande favorito à vitória e à conquista do cargo ocupado durante quase oito anos por Shinzo Abe, que anunciou a demissão, no final do mês passado, por motivos de saúde.

Uma vez que o LDP detém a maioria das duas câmaras do Parlamento japonês, é praticamente certo que o vencedor da eleição interna do partido conservador seja formalmente investido como primeiro-ministro pelos deputados.

Chefe de gabinete do executivo japonês – um cargo com poder ministerial –, Suga sempre foi um dos mais próximos de Abe, apesar de um ligeiro distanciamento entre os dois nos últimos tempos. 

Concorre pelo cargo com Fumio Kishida (ex-ministro dos Negócios Estrangeiros) e Shigeru Ishiba (ex-ministro da Defesa), mas os media japoneses dão a sua vitória com garantida, devido ao apoio declarado de várias facções do LDP à sua candidatura.

Por ter uma alta taxa de aprovação a nível nacional, a imprensa local nipónica, no entanto, que Suga poderá ser tentado a anunciar eleições legislativas antecipadas – só estão previstas para Outubro de 2021 –, para reforçar a sua legitimidade na liderança dos destinos do Japão.

Com o país focado na resposta à crise gerada pela pandemia de covid-19, não se esperam, ainda assim, grandes mudanças no rumo que vinha a ser seguido por Abe, particularmente em matéria de política monetária e financeira.

Suga tem concentrado grande parte da sua mensagem de candidatura em redor das questões económicas e dos planos em curso do Estado para contrariar o fantasma da deflação e apoiar empresas e famílias na reacção a uma das maiores quebras económicas de que há memória no Japão.

“Se os problemas económicos se agravarem, faremos tudo o que for necessário proteger empregos e negócios”, garantiu o chefe de gabinete do Governo, de 71 anos, citado pela Reuters.

Desafio diplomático

O sucessor de Shinzo Abe – que se demitiu devido ao agravamento de uma colite ulcerosa – terá outros dossiês importantes para lidar, a par da questão financeira. O primeiro-ministro demissionário e chefe de Governo com maior longevidade no cargo, apesar das muitas polémicas em que se viu envolvido, não completou, por exemplo, a missão de alteração da Constituição pacifista do Japão e deixou algumas pontas soltas na sua actuação diplomática.

Se a aliança entre o Japão e os Estados Unidos permanece forte – Abe e o Presidente Trump forjaram uma relação próxima –, as relações com a China, Coreia do Sul ou Coreia do Norte são mais complexas e exigem de Suga, ou de qualquer outro vencedor da corrida à liderança do LDP, estratégias mais criativas.

Os contactos com Pequim intensificaram-se durante o consulado de Abe, mas as disputas económicas e territoriais entre Japão e China continuam a merecer enorme desconfiança de Tóquio. Por outro lado, as relações com Seul e Pyongyang agravaram-se nos últimos meses.

A pasta das relações externas será um enorme desafio para Yoshihide Suga, a quem os analistas e opositores identificam alguma falta de experiência nessa área.

Num debate televisivo com outros candidatos, no sábado, Suga garantiu que participou em todas as grandes decisões de política externa de Abe, mas prometeu levar a cabo um estilo próprio de diplomacia.

“A alta diplomacia seguida pelo primeiro-ministro foi verdadeiramente excelente. Não acredito que possa fazer o mesmo, mas tenho a minha própria maneira de conduzir a diplomacia”, disse Suga, citado pelo jornal japonês Nikkei.

As bases da política externa japonesas, essas, estão na ponta da língua de Suga: “O mais importante é ter laços estreitos com as nações asiáticas, com a aliança Japão-EUA como principal alicerce”.