Documentário de Attenborough relaciona pandemia com extinção dos habitats

O documentário do naturalista britânico aborda também as alegadas origens da pandemia do novo coronavírus, centrando as suas atenções no mercado da cidade chinesa de Wuhan, onde são vendidos animais vivos para consumo humano.

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Documentário aponta que destruição de habitats, como florestas tropicais, aumenta risco de futuras pandemias Rickey Rogers

Um documentário do naturalista britânico David Attenborough, que será transmitido pela estação BBC no domingo, alerta para o risco de a humanidade estar cada vez mais sujeita a pandemias devastadoras, se não proteger as espécies em vias de extinção.

O documentário, intitulado Extinção: Os Factos, ilustra as consequências devastadoras das actividades humanas no habitat natural de certas espécies e estabelece uma ligação entre estes actos e a pandemia da covid-19.

“Estamos perante uma crise que tem consequências para todos nós, alerta David Attenborough, citado pela agência AFP.

A estação de televisão britânica BBC, responsável pela transmissão do programa, alerta para o facto de este conter “cenas horríveis de destruição”, nomeadamente macacos a saltar num rio ou um coala a procurar abrigo, para escaparem às chamas de um incêndio.

O documentário aborda também as alegadas origens da pandemia do novo coronavírus, centrando as suas atenções no mercado da cidade chinesa de Wuhan, onde são vendidos animais vivos para consumo humano.

O filme pretende, assim, ilustrar o relatório científico “Living Planet Índex” publicado esta semana, segundo o qual o desaparecimento contínuo de habitats naturais de animais selvagens pode aumentar o risco de futuras pandemias, uma vez que aumenta o contacto entre eles e os humanos.

Neste estudo internacional, os especialistas alertam também para o facto de nos últimos 50 anos a população animal ter sido reduzida em dois terços devido ao aumento do consumo humano.

“Durante a minha vida conheci algumas das espécies animais mais notáveis. Só agora é que me apercebi da sorte que tive, pois muitas destas maravilhas parecem destinadas a desaparecer para sempre”, lamentou o naturalista de 94 anos.

Num tom menos pessimista, David Attenborough ressalvou que “se tomarmos as decisões certas neste momento crítico, ainda poderemos salvaguardar os ecossistemas e a sua extraordinária biodiversidade”.

“Tudo depende de cada um de nós”, atestou.

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