Sindicato acusa Efacec de “atropelo à liberdade sindical”

Site-Norte queria convocar plenário para discutir nacionalização definitiva da empresa, o que irá defender formalmente junto do Governo e oposição ainda este mês

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Nelson Garrido

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte) acusou hoje a administração da Efacec de “atropelo aos direitos” e à “liberdade sindical” ao rejeitar ceder as instalações para um plenário, situação hoje avançada pelo PÚBLICO.

“Pedimos a realização de um plenário para hoje e a administração rejeitou ceder as instalações, alegando que não havia condições sanitárias. Dissemos que estávamos dispostos a fazer o plenário no exterior, mas continuaram a dizer que não aceitavam. Dissemos então que faríamos vários plenários em pequenos grupos, mantendo a distância de dois metros [entre os participantes] e com uso de máscara, mas, numa atitude intransigente, nunca estiveram abertos ao diálogo e disseram sempre que não, invocando a saúde dos trabalhadores”, disse à agência Lusa o dirigente sindical Miguel Moreira.

A agência Lusa tentou obter uma reacção por parte da administração da Efacec, o que não foi possível até ao momento.

Acusando a administração do grupo Efacec de, “às custas da pandemia, tentar por todos os meios bloquear/impedir a liberdade sindical na empresa”, o Site-Norte considera que o objectivo é fazer com “que não haja diálogo” entre o sindicato e os trabalhadores.

“Achamos esquisito [que se negue a realização do plenário por questões sanitárias], quando os relatos que nos chegam são de que almoçam mais de 100 trabalhadores ao mesmo tempo na cantina”, sustenta.

De acordo com Miguel Moreira, o objectivo do plenário de hoje era “falar com os trabalhadores sobre o que se passou durante o layoff”, que terminou em 31 de Julho, mas durante o qual o sindicato diz ter havido “a subcontratação de empresas externas para substituir funcionários”.

Outro dos temas em cima da mesa seria a nacionalização da empresa, que foi anunciada a 2 de Julho pelo Governo, defendendo a entidade sindical que os 71,7% que passaram para a esfera pública por decreto governamental a 2 de Julho assim fiquem.

Segundo o dirigente sindical, o sindicato reuniu “centenas de assinaturas” de trabalhadores num abaixo-assinado que pretende entregar ao Governo no próximo dia 24, em que tem agendadas reuniões com vários grupos parlamentares, exigindo “a nacionalização definitiva da Efacec e a defesa dos postos de trabalho”.

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