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Um lago engoliu um aeroporto abandonado no México. Agora, vai ser um parque

Um aeroporto abandonado na Cidade do México, desenhado por Norman Foster, que nem teve partidas ou chegadas de aviões, foi consumido pela força da natureza, ainda antes de estar concluído. Vai tornar-se num parque para atrair os habitantes a uma região anciã esquecida pela cidade.

Carlos Jasso/Reuters
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O antigo lago Texcoco, nos arredores da Cidade do México, apoderou-se de um aeroporto abandonado em construção. Com as chuvas de Verão, as ervas cresceram e transformaram a infra-estrutura num grande parque pantanoso. O resultado é um cenário de grande poder imagético, com a natureza a reclamar o que está ao abandono, mas há outros planos para a zona: irá tornar-se num parque.

As imagens, divulgadas pela agência Reuters, mostram partes do terminal do aeroporto, cuja construção foi abandonada há dois anos, agora inundadas pelas chuvas estivais. O esqueleto da torre de controlo, apenas parcialmente construída, e o terminal de voos são visíveis a emergir do lago.

Foram desenhados pela mão do arquitecto britânico Norman Foster, a convite do anterior Presidente do México, Enrique Peña Nieto, que planeava construir um aeroporto internacional futurista, com um custo de cerca de 13 mil milhões de pesos (cerca de 513 milhões de euros), em 4,8 mil hectares a Este da capital.

Depois de assumir funções em Dezembro de 2018, o Presidente Andres Manuel Lopez Obrador descartou o projecto, com base nos resultados de um referendo informal, depois de argumentar que seria um custo insuportável prevenir o afundamento no solo alagado da zona. Em vez de prosseguir com os planos de Foster, optou por estender o já existente aeroporto militar.

A zona da construção abandonada faz parte, agora, de uma iniciativa para preservar os 12,2 mil hectares de pântano onde foi outrora o imenso lago Texcoco — antes dos colonizadores espanhóis começarem a drenar a água para prevenir inundações no século XVII. Cerca de metade da área em questão, correspondente a mais do dobro do Central Park em Nova Iorque, está destinada ao uso público como espaço para desporto e eventos.

O arquitecto Iñaki Echeverria, que supervisiona o projecto, planeia abrir uma parte do parque em Março do próximo ano, apontando o acesso total para 2024. “A restauração começou no momento em que a construção [do aeroporto] parou. Isto mostra a resiliência incrível da natureza”, conta à agência Reuters. Em parte, a iniciativa tem como objectivo atrair os habitantes da cidade para área: “As pessoas que pensam que não há nada aqui não a conhecem bem”.

Os oficiais do Governo apontaram as recentes inundações como prova de que a manutenção do aeroporto teria sido difícil — e apenas 20% da construção foi completada. Os esforços de conservação da região já decorrem desde os anos 70, quando o Governo tentou conter as tempestades de areia provenientes da bacia seca do lago.

O Presidente Andres Manuel Lopez Obrador saudou o actual projecto, chamando-lhe um “novo Tenochtitlán”, em referência à capital do Império Asteca construída no meio de um grande lago – a actual Cidade do México.

Texto editado por Amanda Ribeiro

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