Ronaldo na selecção: 16 anos vintage com colheita de 101 golos

Há mais de década e meia que Cristiano Ronaldo marca todos os anos por Portugal. Já fez 41 “vítimas” ao longo do percurso e está a oito golos de alcançar Ali Daei, o detentor do recorde de golos em selecções.

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Ronaldo está quase a chegar a mais um recorde LUSA/MÁRIO CRUZ

Na mesma noite, Cristiano Ronaldo completou a primeira centena de golos com a camisola da selecção portuguesa e iniciou uma segunda. Com igual dose de espectáculo, Ronaldo marcou o 100.º e, logo a seguir, o 101.º, aproximando-se de um recorde que sempre lhe pareceu destinado, o de maior goleador de sempre em selecções. Continuam a valer os 109 golos de Ali Daei pelo Irão, mas o recorde pode já nem chegar a 2021. Portugal ainda tem mais seis jogos agendados em 2020 (dois particulares e quatro da Liga das Nações) e talvez sejam suficientes para CR7 ultrapassar o iraniano.

Há diferenças na forma como Ali Daei e Cristiano Ronaldo, os dois únicos jogadores a alcançar a barreira da centena de golos nas respectivas selecções, atingiram esse patamar. Daei chegou mais tarde à principal selecção do Irão e fez menos jogos (149), mas tem uma média superior – 0,73 golos por jogo – que Ronaldo – 101 golos em 165 internacionalizações, que dão uma média de 0,61. A melhor média entre os maiores goleadores de todas as selecções continua a pertencer a Poul Nielsen, o maior goleador da história da selecção dinamarquesa, com 52 golos em 38 jogos (1,37 golos por jogo) nas primeiras décadas do século passado.

Ronaldo tem sido mais regular que Daei ao longo da sua carreira internacional. O português só não marcou pela selecção portuguesa no ano em que se estreou (2003), tendo marcado pelo menos uma vez nos 16 anos seguintes – e teve quatro anos em que chegou à dezena de golos, 2013 (10), 2016 (13), 2017 (11) e 2019 (14). O iraniano, por seu lado, teve dois anos (1994 e 1995) em que não marcou, compensando com dois anos de enorme acerto, 22 golos em 1996 e 20 em 2000.

Ronaldo também tem uma lista de “clientes” para os seus golos mais diversificada. Marcou a 41 selecções diferentes, com Lituânia e Suécia a serem as selecções que mais sofreram com o acerto de Ronaldo (sete golos). Quando a Ali Daei, marcava aos quatro e cinco de cada vez a selecções como o Laos, Guam ou Sri Lanka – marcou a 36 selecções diferentes, quase todas da confederação asiática e a apenas duas europeias (Ucrânia e Bósnia).

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Ali Daei em acção durante um jogo da Taça Asiática em 2000 Damir Sagolj/Reuters

Também há diferenças no contexto competitivo em que marcaram os golos. Ali Daei fez cinco jogos em dois Mundiais (1998 e 2006), mas não marcou qualquer golo, enquanto Ronaldo marcou sete golos em 17 jogos de quatro Mundiais (entre 2006 e 2018). Uma boa fatia dos golos de ambos foram em jogos particulares, mais de Ali Daei (27) do que Ronaldo (17). Ali Daei tem, no entanto, vantagem no que diz respeito ao torneio continental: marcou 14 na Taça da Ásia, enquanto Ronaldo tem nove golos em fases finais do Europeu.

Dez por cento

Como ficou mais uma vez provado frente à Suécia, Ronaldo continua a ser a melhor solução da selecção portuguesa, mesmo que a sua ausência seja cada vez menos um problema, como também foi evidente no confronto com a vice-campeã mundial Croácia. E já não há muito a dizer sobre a importância que Ronaldo tem tido na selecção portuguesa desde que se estreou em 2003, pela mão de Scolari. Com ele, Portugal nunca falhou uma fase final de uma grande competição (Mundiais e Europeus), ganhou títulos (Euro 2016 e Liga das Nações 2019) e consolidou o seu estatuto de selecção de topo no futebol internacional.

E não é surpresa nenhuma que os seus 101 golos sejam praticamente dez por cento do total de golos marcados pela selecção portuguesa (1051), como relembrava o jornalista Rui Miguel Tovar no seu site Tovar FC. Golos que podem ser agrupados em várias categorias, de acordo com a recolha de dados. Por exemplo, 55 com o pé direito, 24 de cabeça e 22 com o pé esquerdo. Ou, 11 de penálti e dez de livre directo. Ou 21 fora da área, 61 dentro da área e 19 na pequena área. Ou 51 para Fernando Santos, 27 para Paulo Bento, 20 para Scolari, dois para Carlos Queiroz e um para Flávio Murtosa.

Para além do recorde de golos, não é de todo impossível que Ronaldo chegue também ao recorde de internacionalizações, embora aqui tenha maior concorrência. O capitão português é o português mais internacional de sempre (165 jogos) e o 13.º na lista dos que mais jogos têm na selecção principal, mas tem à sua frente quatro jogadores que ainda estão no activo: Ahmed Mubarak, médio de Omam (179); Bader Al-Mutawa, avançado do Kuwait (178); Amer Shafi, guarda-redes da Jordânia (173); Sérgio Ramos, defesa da Espanha (172). Bastará a Ronaldo estar nos seis jogos agendados em 2020 para chegar ao top-10, mas ainda irá precisar de mais um ano ou dois para apanhar o médio egípcio Ahmed Hassan (184).