Simeon Coxe, o génio visionário dos Silver Apples, partiu para a última viagem

Ao lado do baterista Danny Taylor, rodeado de osciladores, foi pioneiro da música electrónica, perfeitamente sintonizado com a sua época mas procurando sempre sinais de futuro. Influência marcante para Suicide, Spiritualized, Can ou Chemical Brothers, entre muitos outros, morreu na terça-feira, aos 82 anos.

A desbravar novos mundos musicais com um instrumento, inventado por si, formado por osciladores da Segunda Guerra Mundial, pedais wah-wah e fios de telégrafo
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A desbravar novos mundos musicais com um instrumento, inventado por si, formado por osciladores da Segunda Guerra Mundial, pedais wah-wah e fios de telégrafo DR

Não era só ele sentir que estava certo, que aquela música que ninguém ouvira antes, prenhe dos sonhos do seu tempo e apontando ao futuro, tinha de ter lugar no mundo que habitava. Não era só essa crença naquele encontro entre maquinaria electrónica e uma bateria tocada com precisão ritual, rave à espera de nascer. Era a sua radical devoção a ela. Por isso, em 1970, quando os Silver Apples que criara com o baterista Danny Taylor se viram impedidos de tocar ao vivo e de gravar em estúdio, Simeon Coxe abandonou a música. “Se não podia ter os Silver Apples, não queria ser músico”, dizia ao Ípsilon em 2017. Felizmente teve-os e tivemo-los nós. Felizmente regressou à música, nos anos 1990, para perceber o imenso alcance da sua influência enquanto pioneiro da electrónica e tornar-se reconhecido como nunca fora na sua primeira vida. Simeon Coxe morreu na terça-feira aos 82 anos em Fairhope, Alabama, nos Estados Unidos. Sofria de fibrose pulmonar.