Crónica

Vicente Jorge Silva: uma nova estética do jornalismo

A ousadia que caracterizava de Vicente Jorge Silva permitiu-lhe avançar com projetos inovadores, desde logo o PÚBLICO, porventura o mais importante no jornalismo do pós 25 de Abril.

Vicente Jorge Silva exerceu a profissão de jornalista nos anos de 1980 — 2000 (Expresso e, depois, PÚBLICO) dentro do modelo de uma profissão renovada, ao lado de outros intermediários culturais desta sociedade dita pós moderna. Com base numa cultura superior e informal, Vicente Jorge Silva construiu uma nova estética do jornalismo, em diálogo com outros criadores (por exemplo, Henrique Cayate no grafismo do “seu” jornal). 

Jornalista, cineasta, fotógrafo, com maior ou menor relevo, todas essas vocações coexistiam na pessoa complexa criativa e culta de um trabalhador do simbólico, capaz de encarnar e personificar as incertezas da cultura contemporânea. A ousadia que o caracterizava permitiu-lhe avançar com projetos inovadores, desde logo o PÚBLICO, porventura o mais importante no jornalismo do pós 25 de Abril.

Tinha a enorme capacidade fazer pontes imprevisíveis entre jornalistas, escritores, artistas plásticos, empresários, galeristas, cineastas e tantos outros novos intermediários culturais. Conseguiu, acompanhado por outros jornalistas, criar condições para ensaiar no nosso país o modelo de um jornal europeu, aberto e moderno, com uma margem de decisão própria e aceitável por um grupo empresarial moderno.

Para perceber Vicente Jorge Silva conviria olhar a casa onde vivia em Lisboa na Avenida Álvares Cabral, baseada num projeto de Cassiano Branco, exemplo da arquitetura modernista, atravessada, na vertical, por um pináculo apontado ao céu ou ao infinito.

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