“A conduzir-nos até ao nosso fim”: mupis alertam para a poluição rodoviária

O projecto Brandalism encheu as ruas de Inglaterra e do País de Gales com anúncios adulterados de marcas de automóveis. A poluição rodoviária e outros riscos associados ao excesso de carros particulares são algumas das lutas do projecto.

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Desta vez, é nos painéis de publicidade e nas paragens de autocarro de Bristol, Birmingham, Leeds, Londres e Exeter (Inglaterra) e Cardiff (País de Gales) que uma campanha do projecto Brandalism ganha vida. Pelas ruas inglesas vêem-se mupis adulterados de marcas de automóveis como a BMW, a Ford, a Lamborghini e a Volkswagen. A crítica é feita à “indústria automóvel pela criação de anúncios enganosos que aumentam a procura por veículos poluentes”, lê-se no comunicado do Brandalism.

A reivindicação contou com a participação de mais de 30 artistas internacionais, que criaram 45 designs diferentes. O grupo retira os anúncios oficiais e coloca outros em substituição, mupis com uma mensagem alusiva ao tema da campanha. No caso, lêem-se anúncios como o da Volkswagen com a mensagem Driving us to our end (em tradução livre, “A conduzir-nos até ao nosso fim”).

Michelle Tylicki
Paul Insect
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Já em Fevereiro de 2020, o movimento se fez ouvir. Nessa altura, a campanha teve lugar na Austrália, com o mote #BushfireBrandalism. O objectivo era “denunciar a inacção do governo australiano perante as alterações climáticas e os incêndios florestais devastadores”. Em 2015, 600 posters das paragens de autocarro de Paris foram substituídos por críticas direccionadas à Volkswagen e à companhia aérea Air France.

Hogre
Matt Bonner
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Em comunicado, Peter Marcuse, membro do projecto Brandalism, destaca o paradoxo de os painéis de publicidade serem usados para “promover a compra de um carro novo para os condutores presos no trânsito”. O aumento do número de carros particulares, apontado pelo activista, “dificulta a implementação de alternativas sustentáveis à medida que aumentam os custos sociais e de saúde”, afirma.

Texto editado por Ana Maria Henriques

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