morrissey,james-joyce,entrevista,culturaipsilon,musica,irlanda,
Pooneh Ghana
Entrevista

Os Fontaines D.C. escaparam à morte do herói. “Não havia nada que separasse os dias uns dos outros, nada que valesse a pena levar a sério”

Fizeram-se banda na cidade de Dublin que souberam capturar como poucos e quase perdiam o equilíbrio numa digressão exigente que os colocou nas bocas do mundo. Tornaram-se estrelas de rock por acidente e foram apanhados desprevenidos pelo furacão que os virou do avesso. A Hero’s Death tem nome fúnebre mas é o renascimento da banda que quer ajudar a tomar conta do pós-punk em 2020. Grian Chatten conta ao Ípsilon o que se passou na estrada e fala de um álbum feito para “desiludir” os fãs.

Um baixo galopante, um bombo mandão e “Dublin in the rain is mine/ a pregnant city with a catholic mind”. Que tal para uma introdução? É assim que arranca Dogrel, álbum de estreia com que mostraram os dentes ao mundo os Fontaines D.C. (“D.C.” de “Dublin City”, não “District of Columbia”) em Abril de 2019. Havia no jovem quinteto uma energia familiar, a mesma que conseguimos reconhecer nos IDLES, nos Viagra Boys ou nos Squid, parte da novíssima equipa de salvação do rock, pelo menos para os velhos do Restelo que vêm apregoando a sua morte há 40 anos. Mas havia ao mesmo tempo algo de muito diferente, muito entusiasmante e muito genuíno nestes rapazes irlandeses, que escreviam letras de canções como se fossem poemas, a grande maioria dedicada a uma só musa: Dublin.