Quem paga a conta da Festa?

A festa do Avante! é um evento político que sempre provou a capacidade mobilizadora do PCP. Qualquer democrata saúda a mobilização política, especialmente num contexto em que a política tem cada vez menor capacidade de mobilizar os cidadãos.

O PSD também tem eventos políticos que marcam a história das rentrées políticas e a presença dos apoiantes do partido sempre foi entendida como uma prova de força das ideias do partido.

Contudo, no atual momento, existem forma alternativas dos partidos demonstrarem a sua capacidade mobilizadora e difundirem a sua mensagem.

As festas políticas como as que se realizam no Chão da Lagoa, Pontal (ambas do PSD) ou a Festa do Avante! não são instrumentos insubstituíveis para os partidos desenvolverem a sua atividade. Nesse sentido, a realização da festa do Avante é uma opção do PCP. Do mesmo modo que o PSD não realizou nenhuma festa tradicional e não foi por isso que deixou de fazer política.

Já muito foi dito sobre esta opção do PCP e, apesar das várias críticas que são tecidas, o partido organizador tem o aval da DGS e o Governo do seu lado. Contudo, a forma como esta situação foi gerida pelo Governo levantou a dúvida sobre uma especial benevolência dada a um partido que viabilizou cinco cinco orçamentos e que o PS quer que viabilize, pelo menos, mais um.

Há uma clara dúvida se o comportamento do Governo foi imparcial com PCP. Se o Governo foi equitativo na aplicação de regras e normas comparativamente a outras atividades. Isto significa que muitos portugueses desconfiam que o Governo possa ter sido mais flexível com PCP para manter a atual solução governativa.

Esta dúvida está claramente instalada em muitos portugueses. E é seguramente tóxica para a necessária confiança que os portugueses têm que ter nas decisões de um Governo que tem a obrigação de combater uma pandemia.

O Avante! parece uma “festinha para amansar” o PCP nas negociações do próximo Orçamento de Estado. Esta imagem afeta a credibilidade do PS. Os portugueses poderão questionar-se sobre os objetivos da governação. Manter o poder, ou servir o país?

Em termos práticos quem paga a conta do Avante! e outras cedências da atual solução governativa são os portugueses e a imagem do país.

Há mais de 40 comerciantes no Seixal que irão encerrar portas por considerarem que é a decisão mais segura, devido à realização da Festa do Avante!. Há profissionais de saúde que falam publicamente numa exigência enorme e falta de meios perante o surto que ocorre a 30 quilómetros da festa, em Setúbal.

O Governo não diz nada para tranquilizar os empresários, as famílias e os profissionais de saúde da região, porque isso poderia trazer intranquilidade à sua relação com PCP. Seria reconhecer que a Festa do Avante! poderia ser um problema. A consequência é que a Festa do Avante! se tornou num problema. Esperamos que não venha a ser de saúde pública, mas será seguramente de confiança no Governo.