Poluição no Rio Paiva pode colocar turismo em risco, adverte associação

A SOS Rio Paiva fez um apelo urgente ao ministro do Ambiente no sentido de averiguar a origem de “grandes descargas poluentes” naquele curso de água. APA salienta que está prevista a construção de uma nova ETAR.

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O problema já não é novo e coincide, habitualmente, “com o mês de Agosto e a consequente duplicação da população de Castro Daire, Arouca e Vila Nova de Paiva”. Ainda assim, “este ano, a situação agravou-se”, alerta Sérgio Caetano, da SOS Rio Paiva. A associação de defesa do Rio Paiva veio a terreiro denunciar a ocorrência de “grandes descargas poluentes no concelho de Castro Daire” e fez um apelo urgente ao ministro do Ambiente para que seja investigada a origem da poluição.

De acordo com a associação ambientalista, aquelas descargas têm sido visíveis, nos últimos anos, “a jusante da localidade de Reriz, sendo efectuadas de manhã cedo sem que se consiga apurar a sua origem”. “Neste mês de Agosto de 2020 a situação voltou a repetir-se tendo alguns cidadãos indignados captado imagens do rio coberto de espuma, situação que ocorre praticamente todos os dias pela manhã, colocando em risco não só a biodiversidade deste sítio da Rede Natura 2000, mas também a saúde pública de milhares de pessoas que nesta altura do ano frequentam as águas do Rio Paiva”, alertam.

A partir dos dados disponíveis, os elementos da associação suspeitam que estas descargas possam estar relacionadas com o “subdimensionamento” das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Castro Daire que não conseguem comportar todo o caudal de esgotos nesta altura do ano. “Convidamos a equipa do Ministério do Ambiente a verificar os locais onde são efectuadas as descargas das estações de tratamento de águas residuais para constatar que as mesmas não fazem um tratamento adequado dos esgotos, como pode ser facilmente verificado no terreno”, exorta Sérgio Caetano.

Na resposta ao pedido de esclarecimentos enviado pelo PÚBLICO, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) reconheceu que “verificam-se, de facto, constrangimentos na exploração de alguns desses equipamentos”, assegurando que “está prevista a entrada em funcionamento de uma nova infra-estrutura, que irá permitir um adequado tratamento dos efluentes”.

Já a câmara municipal de Castro Daire assegura que as suas ETAR “estão a ser monitorizadas e em funcionamento normal”, afastando a possibilidade de existir relação entre as mesmas e possíveis descargas no Rio Paiva. De qualquer das formas, o município diz ter mobilizado os seus serviços técnicos e os serviços de fiscalização para avaliar e detectar “possíveis descargas ao longo das margens do Rio Paiva”, avançou fonte da autarquia.

Investimento turístico em risco

A SOS Rio Paiva receia que esta situação ameace o turismo daquela região. “Nos últimos anos o Rio Paiva tornou-se um importante destino turístico graças aos milhões de euros gastos no desenvolvimento do turismo na região de Arouca (a jusante de Castro Daire), com a construção dos famosos Passadiços do Paiva, pelo que este investimento pode estar comprometido com o aumento da poluição no rio”, advertem. No entender dos representantes da associação, o investimento no turismo tem de ser “acompanhado de um forte investimento na identificação e eliminação dos focos de poluição bem como num sistema de fiscalização verdadeiramente eficaz que impeça este tipo de crimes”.

A APA garante estar atenta à situação do Paiva, anunciando ter já em curso, em conjunto com várias entidades locais, “um programa de trabalhos com o objectivo de estudar os problemas de contaminação”. Nomeadamente “com a realização de colheitas de amostras de água e deslocações ao terreno, acompanhando as equipas do SEPNA no seguimento de reporte de novos episódios de poluição ou no decorrer dos trabalhos de monitorização programada”, especifica. Mais. “De modo a dar cumprimento à Directiva Quadro da Água e à Directiva das Águas Balneares”, os serviços da APA garantem monitorizar regularmente o rio Paiva “em cinco estações de águas superficiais e três águas balneares”.

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