Portugal tem melhores elites económicas do que políticas

Engordar o bolo de todos ou a própria fatia? A resposta a esta pergunta permite perceber quem são as elites que contribuem mais ou menos para o desenvolvimento de um país.

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Em Portugal, a elite económica está mais bem colocada do que a política rui gaudencio

Um estudo conhecido esta semana, que compara as elites em 32 países, coloca Portugal a meio da tabela — na 14.ª posição —, com a elite económica a sair melhor na fotografia do que a política. Mas afinal porque é que as elites interessam? O relatório explica que estes grupos podem influenciar o desenvolvimento económico e social de um país, através da capacidade de coordenação que têm. No entanto, nem todas as elites usam esse poder para “engordar o bolo económico disponível para toda a sociedade. Pelo contrário, algumas engordam a sua própria fatia à custa do crescimento do resto do bolo económico”. É esta diferença que gera melhores e piores elites. 

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) e a Universidade de Saint Gallen, na Suíça, juntaram-se para desenvolver o primeiro índice mundial com o objectivo de medir as elites, mais concretamente a forma como estas favorecem ou dificultam o progresso de um país, explicam numa nota enviada à imprensa. 

Para já, o Índice de Qualidade das Elites (EQx) de 2020 foi calculado para 32 países, entre os quais se inclui Portugal, estando previsto que no próximo ano seja alargado a mais de 120 países. 

Os responsáveis pelo estudo explicam que se trata de um índice de economia política baseado em quatro indicadores: poder económico, valor económico, poder político e valor político. Um país bem colocado no ranking — em primeiro lugar ficou Singapura e entre os europeus o mais bem classificado foi a Suíça, que conseguiu a segunda posição da tabela — significa elites de qualidade mais elevada, que dão mais à sociedade do que retiram, maximizando um desenvolvimento económico e humano inclusivo no longo prazo.

Em Portugal, os subindicadores que medem o valor económico e o valor político mostram que no primeiro caso o desempenho das elites é melhor, já que nesse ponto Portugal está na 10.ª posição, enquanto na componente política que mede a criação de valor Portugal está em 25.º lugar. 

O valor económico analisa três pontos específicos: o mercado de produtos e serviços, o mercado de capitais e o mercado de trabalho. 

Neste campo, Portugal aparece particularmente bem classificado nas barreiras ao investimento estrangeiro e na evolução dos preços.

A justificar o pior desempenho da criação de valor pelas elites políticas estão indicadores como nível de dívida pública, a taxa de IRC, que incide sobre os lucros das empresas, e a distribuição regional de rendimentos.


 
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