“O mais difícil vem aí”, avisa Marta Temido

Ministra da Saúde lança alerta enquanto Graça Freitas fala em “aumento controlado” de casos de covid-19. Esta segunda-feira houve mais 244 casos.

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Marta Temido falou na conferência de dirigentes nacionais e locais do Partido Socialista, no Convento de São Francisco, Coimbra LUSA/PAULO NOVAIS

“O mais difícil vem ainda aí”, avisou nesta segunda-feira a ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência com que o PS marcou o regresso das férias. A responsável referia-se ao terreno que é preciso preparar para os meses que se aproximam, depois de o número de mortos e infectados diários ter recuado durante o Verão.

“É certo que é muito aquilo que temos para fazer, o mais difícil vem ainda aí”, afirmou Marta Temido, depois de apresentar o balanço do ano até agora. Com a proximidade da mudança de estação e a ameaça de uma segunda vaga de infecções por covid-19, a ministra diz que este é o momento de concentrar esforços para preparar essa temporada. Nestas primeiras três semanas de Setembro, o Governo e o país devem preparar-se “para uma fase de Outono/Inverno que se antecipa com novas dificuldades”, disse Marta Temido, em Coimbra.

“O mais difícil” é uma referência a um “contexto complexo”, que combina o regresso às aulas com a gripe sazonal e o “habitual acréscimo de mortalidade nos meses de Inverno, sobretudo nos mais idosos”, referiu a ministra. Acresce a “necessidade inelutável de garantir outras respostas em saúde para além das respostas à doença covid-19” e a insustentabilidade de “suportar um novo lockdown, acrescentou.

A responsável pela pasta da saúde tinha começado a intervenção com uma cronologia desde Janeiro de 2020, quando Marta Temido, nas palavras da própria, “era uma ministra feliz”. Mais tarde, tudo se precipitou, mesmo antes de a Organização Mundial de Saúde ter decretado a covid-19 como pandemia. Mas, depois, ao fazer o balanço, a responsável pela pasta da saúde virou-se para o que aí vem, que pode ser ainda mais árduo, avisou. Com este discurso de Marta Temido, o governo apalpa terreno e prepara caminho para o caso de ter de mudar o tom da mensagem.

Mas da pandemia também saíram lições, disse Marta Temido. “Não nos podemos distrair com outros temas, com outras controvérsias, com quem nos quer fazer perder tempo”, afirmou, numa aparente alusão a polémicas com os médicos, cujo papel fez questão de reconhecer: “sem profissionais de saúde, não há sistema de saúde”.

“Aumento controlado”

Esta segunda-feira Portugal registou mais três mortes e 244 casos de infecção pelo novo coronavírus, o que corresponde a um aumento de 0,4% no número de doentes de covid-19. No total, contabilizam-se 1822 óbitos e 58.012 casos confirmados desde o início da pandemia. Dos 244 novos casos, 137 (56%) foram registados na região de Lisboa e 83 (34%) na região Norte.

A zona do país mais afectada pela pandemia continua a ser a região de Lisboa e Vale do Tejo, que regista 29.921 casos acumulados de infecção. Segue-se o Norte, com 20.859; o Centro, com 4807 (mais sete do que no dia anterior); o Algarve, com 1112 (mais sete); e o Alentejo com 944 (mais sete nas últimas 24 horas). Os Açores contabilizam 212 casos de infecção (mais três do que no domingo) e a Madeira mantém-se com um total de 157.

Foi ainda na região de Lisboa e Vale do Tejo onde se registaram mais casos durante a semana passada (1105 em sete dias). Desde o dia 24 de Agosto, o concelho de Lisboa foi o que registou mais casos, com 143 novos casos numa semana (num total de 5087), seguindo-se Sintra com mais 139 casos (4279 no total); Vila Franca de Xira, com 99 novos casos (1323 no total); a Amadora, com mais 83 (num total de 2494); o concelho da Azambuja, com mais 74 infecções (226 no total) e Odivelas, com mais 57 casos (1806 no total).

No Norte, Braga foi o concelho com mais novas infecções (55) na última semana, num total de 1379 casos acumulados. Segue-se Vila do Conde, com mais 53 casos; Guimarães, com mais 52 pessoas infectadas e Vila Verde, com 51 novas infecções.

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas reiterou ontem que, apesar de ter existido um aumento de casos nos últimos dias, os números da covid-19 estão estáveis e que este é “um aumento controlado”. “Já prevíamos e já tinha sido dito: o contacto durante o Verão poderia aumentar o número de casos. Isso tem acontecido e temos verificado uma coisa interessante que é os focos nas famílias”. com Filipa Almeida Mendes e Sofia Neves

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