Ilustração

Pedro Figueiredo repara nas “coisas normais” — e desenha-as

©Pedro Figueiredo
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São desenhos da cidade do Porto, mas nem sempre dos lugares habituais. Pedro Figueiredo, formado em Arquitectura, começou a desenhar em 2012, em plena crise financeira. Nascido em Lisboa, mudou-se em pequeno para o Norte e já viveu nas duas margens do Douro. Diz-se um “apaixonado pelas cidades [Porto e Vila Nova de Gaia]”.

Com a crise, veio o desemprego — e, tal como Pedro diz, “em caso de crise, desenhe”. Em criança, costumava desenhar bonecos da televisão e carros, mas, desta vez, foi a cidade do Porto que o chamou. “Comecei a andar mais pela cidade e achei que, fazendo desenhos, podia ganhar uns trocos”, conta ao P3.

Em 2013, “como resposta ao desemprego”, surgiram as The Worst Tours, “uma reacção ao turismo de massas” com o objectivo principal de mostrar um Porto “além do institucional, do mais comercial”. Também os desenhos reflectem este lado por explorar da cidade: o Porto “tem coisas escondidas, que as pessoas não vêem porque não sabem ver”. Um pouco como dizia Saramago: "Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara". Nos “passeios do piorio”, já muitas foram as pessoas que comentaram: “Nunca tinha reparado naquilo”. “Não há muita abstracção mental para olhar para os edifícios, para as coisas normais”, explica Pedro.

Os seus últimos desenhos foram concebidos em tempos de pandemia, como “uma forma de se distrair, de ocupar o tempo”, uma vez que o desenho está para o arquitecto “entre o hobby e o trabalho”. A paixão pela cidade (perdão, “cidades”) está, no entanto, sempre patente, e vai sendo partilhada na página Desenhos aos Molhos, onde "as coisas normais" são vistas com outros olhos. 

Texto editado por Ana Maria Henriques

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