Um morto em confrontos entre apoiantes de Trump e manifestantes anti-racismo em Portland

Caravana de veículos com partidários do Presidente confrontou manifestantes. Donald Trump diz que a Guarda Nacional está pronta a intervir em Portland, palco de protestos anti-racismo e a violência policial há mais de três meses.

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Reuters/SERGIO OLMOS

Uma pessoa foi morta a tiro madrugada de domingo em Portland, no estado norte-americano do Oregon, em confrontos entre um grupo de apoiantes do Presidente Donald Trump e manifestantes anti-racismo. De acordo com o The New York Times, a vítima tinha um chapéu com uma insígnia dos Patriot Prayer, um grupo de extrema-direita de Portland que se tem envolvido em conflitos na cidade nas últimas semanas.

A polícia de Portland disse que foi chamada ao centro da cidade por volta das 21h00 locais de sábado (5h00 em Portugal continental), por haver um tiroteio. Quando chegaram ao local, os agentes encontraram um homem baleado no peito, tendo sido declarado o óbito no local. O caso está a ser investigado. 

“Esta violência é completamente inaceitável e estamos a trabalhar diligentemente para encontrar e prender o indivíduo ou indivíduos responsáveis”, disse Chuck Lovell, chefe da polícia local.

Ao início da tarde de sábado, uma caravana com cerca de 600 carrinhas, com mais de mil pessoas, que hasteavam bandeiras dos EUA e de mensagens de apoio a Donald Trump, juntou-se para um comício de apoio ao Presidente e percorreram as estradas nos subúrbios de Portland. No entanto, várias carrinhas deslocaram-se para o centro da cidade, onde decorria uma manifestação contra o racismo e a violência policial, causando o caos. 

Nas redes sociais, circulam vídeos de confrontos entre manifestantes que defendem o movimento Black Lives Matter e contramanifestantes. Das carrinhas, foram disparadas armas de paintball e gás pimenta – o que já tinha acontecido no fim-de-semana passado –, enquanto os manifestantes anti-racismo atiraram objectos contra os apoiantes de Trump. Há ainda relatos de lutas corpo a corpo e de carrinhas a investir contra manifestantes.

A polícia fez pelo menos dez detenções na noite de sábado, mas ainda não foi revelado se eram apoiantes de Trump ou manifestantes anti-racismo.

Protestos duram há três meses

Desde a morte de George Floyd, afro-americano sufocado até à morte por um polícia branco de Mineápolis em Maio, Portland tem sido palco de grandes manifestações contra o racismo e a violência policial. De acordo com a CNN, foi a 94.ª noite de protestos consecutiva, enquanto os apoiantes de Trump saem há três sábados seguidos à rua.

Embora as manifestações persistam há mais de três meses, a sua dimensão tem variado. Após as manifestações massivas nas semanas seguintes ao assassínio de George Floyd, o número de pessoas nas ruas diminuiu, mas os protestos voltaram a ganhar enorme dimensão em Julho, depois de a Administração Trump ter enviado agentes federais para Portland.

A cidade do estado norte-americano do Oregon tem sido um alvo constante do discurso de “lei e ordem” do Presidente Donald Trump, que tem atacado frequentemente o mayor democrata Ted Wheeler, acusando-o de não conseguir conter os protestos na sua cidade. 

Este domingo, Trump, numa série de tweets, voltou a falar na possibilidade de enviar a Guarda Nacional para Portland e elogiou os seus apoiantes naquela cidade, classificando-os de “grandes patriotas”. O secretário interino do Departamento de Segurança, Chad Wolf à ABC que “todas as opções estão em cima da mesa” para acabar com os protestos violentos em Portland. 

A violência da madrugada de domingo em Portland culmina uma semana que começou com um polícia branco de Kenosha, no Wisconsin, a balear pelas costas o afro-americano Jacob Blake, paralisado da cintura para baixo, à frente dos filhos, o que impulsionou mais protestos contra o racismo. Na terça-feira, Donald Trump desloca-se a Kenosha, onde vai reunir-se com as autoridades locais e com as forças de segurança, uma visita que tem sido criticada por vários membros do Partido Democrata.

Durante os protestos que se seguiram, Kyle Rittenhouse, um adolescente de 17 anos do Illinois, matou dois manifestantes anti-racismo com uma arma semiautomática. Está sob custódia das autoridades e vai ser defendido pela sociedade de advogados que representa Rudy Giuliani, advogado de Donald Trump.

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