Conservadores e Trabalhistas britânicos empatados nas intenções de voto

Labour teve o pior resultado em 84 anos nas eleições de Dezembro. Com a crise da covid-19, e depois da eleição de um novo líder, Keir Starmer, teve uma recuperação

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Boris Johnson, em visita a uma escola Reuters/POOL
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Keir Starmer, o novo líder dos trabalhistas britânicos Peter Nicholls/REUTERS

Em nove meses, e uma pandemia depois, o Governo conservador de Boris Johnson desbaratou a enorme vantagem sobre os trabalhistas, obtida nas legislativas de Dezembro de 2019. Uma sondagem Opinium/The Observer mostra o Labour e os tories lado a lado, com 40% de intenções de voto.

Desde que Boris Jonhson se tornou primeiro-ministro – em Julho de 2019 – que o Partido Conservador tinha mantido uma liderança sobre os trabalhistas de dois dígitos, que chegou ao ponto mais alto em Março/Abril deste ano, quando o chefe do Governo esteve internado nos cuidados intensivos com covid-19, segundo o texto de apresentação da sondagem. Mas, desde então, tem sido sempre a cair.

A crise do coronavírus teve um enorme peso nesta avaliação: 47% dos inquiridos desaprova a forma como o Governo tem gerido a pandemia, e 31% dá-lhe sinal positivo. O Reino Unido é o país europeu com mais mortes devido à covid-19, e o quarto com mais vítimas mortais em todo o mundo, com 41.585 óbitos.

O escândalo em torno das deslocações de Dominic Cummings conselheiro de Johnson, quando o país todo estava em quarentena, ajudou também a denegrir a sua imagem.

Em Dezembro, ainda liderado por Jeremy Corbyn, o Partido Trabalhista sofreu o seu pior resultado em 84 anos numas legislativas – perdeu 59 deputados em relação às eleições de 2017, e ficou apenas com 203 (32,2%). Os Conservadores ficaram com 365 (43,6% da votação) num total de 650, uma maioria mais do que confortável.

Mas, desde então o Labour tem um novo líder, Keir Starmer, um ex-advogado de direitos humanos, que se mostrou muito mais eficaz do que Corbyn na oposição ao Governo. Apesar disso, neste momento, Starmer está com a aprovação mais baixa desde o início de Maio (38%). Mas a apreciação dos eleitores sobre Johnson é negativa (-44%), conclui a sondagem. Quanto à pergunta sobre quem seria o melhor primeiro-ministro, estão ambos muito perto: 34% escolhem Johnson, 32% Starmer.

Esta sondagem sai no momento em que o Parlamento britânico se prepara para retomar os trabalhos, na terça-feira, o mesmo dia em que as escolas devem retomar as aulas presenciais. Mas, apesar de 63% dos inquiridos considerarem que é seguro reabrir as escolas primárias, há um movimento forte de oposição – 30% acha que não é seguro.

Mas o Governo fez várias reviravoltas recentemente relacionadas com a covid-19 e o sistema educativo, que não têm ajudado a suscitar confiança. Por exemplo, inicialmente disse que não seriam obrigatórias máscaras nas escolas secundárias, para depois voltar atrás. E houve um grande fiasco com as notas dos exames do secundário, avaliados por um sistema de inteligência artificial com defeito, que obrigou a anular simplesmente os exames. Para entrada na universidade, este ano, contará apenas a avaliação atribuída pelos professores.

Para o grupo parlamentar conservador, estas reviravoltas e fiascos estão a tornar-se difíceis de engolir – e de defender perante os seus eleitores -, diz o semanário The Observer, próximo da esquerda britânica. “Muitas vezes parece que o Governo está a por um dedo no ar para ver de que lado está a vir o vento. Isto não é uma forma sustentável de governar”, disse ao semanário Charles Walker, vice-secretário do grupo parlamentar, que normalmente é considerado um apoiante de Boris Johnson.