O Benfica de Jesus já nasceu, falta-lhe crescer

Foi a quarta vitória consecutiva dos “encarnados” na pré-temporada.

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Jogadores do Benfica comemoram um dos golos contra o Bournemouth SL Benfica
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Taarabt marcou um golo contra o Bournemouth Tiago Petinga/Lusa

Primeiro as boas notícias para os adeptos “encarnados”. O Benfica que se prepara para arrancar oficialmente a temporada daqui a 15 dias (a estreia será na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões a 15 de Setembro, cujo sorteio será nesta segunda-feira) está melhor do que aquele que terminou a temporada transacta (era difícil estar pior, na verdade). O toque de Jorge Jesus já se nota, numa equipa que neste domingo, frente aos ingleses do Bournemouth, venceu por 2-1 e fez uma boa primeira parte. As más notícias são as de que, para já, esta nova versão benfiquista só aguenta uma hora ao nível que o novo treinador “encarnado” certamente pretende e é ainda demasiado dependente da inspiração de alguns jogadores, faltando uma dinâmica colectiva.

Claro que ainda é cedo, talvez mesmo injusto, pedir a este novo Benfica uma exibição de “encher o olho” quando está a trabalhar com o novo treinador há pouco mais de duas semanas. Para além disso, há várias caras novas e é preciso tempo para que a adaptação se processe. Mas também é verdade que a Jorge Jesus se exigem resultados imediatos.

No primeiro jogo “aberto”, depois dos disputados no Seixal frente ao Estoril (4-1), Belenenses SAD (4-0) e Farense (5-1), Jorge Jesus apresentou um “onze” com apenas dois reforços em relação à equipa do ano passado. Vertonghen ao lado de Rúben Dias, e Everton no flanco esquerdo do ataque, foram as caras novas das “águias”. E se é certo que ambos mostraram ter qualidade e parecem ser apostas ganhas — o brasileiro até marcou o segundo golo dos benfiquistas, num excelente remate à entrada da área do Bournemouth — também é verdade que o Benfica viveu, acima de tudo, da inspiração de dois dos jogadores mais influentes da equipa da época anterior: Taarabt e Pizzi.

O marroquino manteve a sua presença no meio-campo e foi o principal desequilibrador da equipa “encarnada”, inaugurando o marcador num grande remate de fora da área; o português, a jogar na zona central e perto do avançado de serviço (neste domingo Seferovic), esteve várias vezes perto do golo, embora não tenha conseguido marcar nos 45 minutos que esteve em campo.

Já o Bournemouth, que compete no segundo escalão do futebol inglês, poucas vezes criou perigo junto da baliza de Odysseias, fruto, principalmente da pressão intensa que a equipa “encarnada” efectuou, sobretudo, no primeiro tempo — uma das novas marcas deste Benfica de Jesus. E tirando o golo apontado por Danjuma, poucas vezes o guarda-redes benfiquista foi posto à prova.

Com mais dois jogos de preparação pela frente — já na quarta-feira, frente ao Sp. Braga e no sábado perante o Rennes — o Benfica de Jesus tem ainda mais duas hipóteses de aprimorar este futebol mais pressionante e intenso que apresentou durante os primeiros 60’ da partida de ontem. Um futebol que utiliza mais vezes os flancos, que faz aparecer mais gente em zonas de finalização e que tenta elevar a velocidade do jogo a um nível que dificulte a construção de jogo do seu adversário, fazendo com que a defesa “encarnada” seja menos vezes colocada à prova.

Ficha de Jogo:

Benfica: Odysseias, André Almeia (Gilberto, 71’), Rúben Dias, Vertonghen (Ferro, 79’), Nuno Tavares (Chiquinho, 79’), Weigl (Florentino, 68’), Taarabt (Gabriel, 68’), Everton (Cervi, 68’), Pizzi (Waldschmidt, 46’), Rafa (Diogo Gonçalves, 67’) e Seferovic (Vinícius, 46’).

Bournemouth: Begovic (Travers, 46’), Adam Smith (Stacey, 46’), Steve Cook (Anthony, 84’), Lloyd Kelly (Zemura, 74’), Diego Rico (Simpson, 62’), Junior Stanlislas (Kilkenny, 63’), Jefferson Lerma (Gosling, 46’) Lewis Cook (Billing, 46’), Danjuma (Ofoborh, 83’), Solanke e Sturridge​.