Marcelo insiste em rejeitar crise política. “Quem ganha com isso? Ninguém”

Primeiro em Lisboa e agora no Porto. O Presidente da República voltou a levantar a voz contra uma crise política caso não exista acordo paro o Orçamento do Estado de 2021.

Marcelo Rebelo de Sousa na Feira do Livro de Lisboa
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Marcelo Rebelo de Sousa na Feira do Livro de Lisboa LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Marcelo Rebelo de Sousa insistiu nesta sexta-feira que não se pode colocar “em cima da crise da saúde e da crise económica uma crise política”, caso não exista um acordo para a aprovação do Orçamento do Estado para 2021.

Na abertura da Feira do Livro do Porto, o Presidente da República acrescentou que se limitou a dizer o que “qualquer pessoa sensata diria”.

“Os portugueses sabem que a pandemia está aí e pode conhecer agravamentos. Sabem que a crise económica vai conhecer agravamentos. Sabem que, no meio disto tudo, haver uma crise política significa uma interrupção, uma paralisia, uma perturbação daquilo que essencial, nomeadamente utilizar os fundos que virão de Bruxelas e pôr de pé um plano de recuperação”, afirmou.

Acrescentou ainda que, se houver uma crise que “obrigue a um debate político e um intervalo de meses, a capacidade de resposta em termos de recuperação, de resposta à pandemia e à crise económica, fica adiada”. “Quem ganha com isso? Ninguém”, salientou.

Na quinta-feira, na abertura da Feira do Livro de Lisboa, o Presidente da República apelou ao diálogo entre os partidos e Governo relativamente ao Orçamento do Estado (OE) para 2021 e avisou que não contem com ele para uma crise política. “Isso é uma ficção”, afirmou, lembrando que não pode haver dissolução do Parlamento depois de dia 8 de Setembro (último semestre do mandato do Presidente da República).

Já sobre o facto que o Governo, ao colocar a partir de 15 de Setembro o país em situação de contingência, Marcelo afirmou: “Quanto aos fundamentos do anúncio do Governo, o que entendi é que o Governo estava a prevenir os portugueses para um conjunto de razões que vão ser visíveis a partir do começo de Setembro, desde o regresso de férias, começo das aulas, aumento do turismo, reinício das actividades mais diversas, inclusive desportivas.”

Questionado sobre o elevado número de contágios à covid-19 verificado nos últimos dias, Marcelo Rebelo de Sousa repetiu o que já tinha dito na véspera, dizendo que é esperada uma situação com “altos e baixos”. “Não chegou a haver uma paragem na epidemia”, afirmou, recusando-se a falar na existência de uma segunda vaga em Portugal.

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