TAD rejeita providência cautelar do V. Setúbal, Portimonense na I Liga

A acção principal ainda vai ser julgada, mas serão os algarvios a entrar no sorteio do campeonato.

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LUSA/TIAGO PETINGA

O V. Setúbal viu ser rejeitada a providência cautelar interposta junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) depois de ter sido impedido de se inscrever na I Liga. Com esta decisão, será o Portimonense a constar do sorteio do campeonato previsto para sexta-feira.

Foram dois os clubes que, segundo os órgãos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), não cumpriram os pressupostos de inscrição nas provas profissionais: o Desp. Aves e o V. Setúbal. Em causa estavam dívidas a outros clubes ou ao fisco e Segurança Social, sendo que os sadinos tinham falhado três parâmetros em concreto: a “inexistência de dívidas a sociedades desportivas”, a “inexistência de dívidas a jogadores, treinadores e funcionários" e "a regularidade da situação contributiva perante a Autoridade Tributária”.

O Desp. Aves já tinha sido despromovido desportivamente à II Liga, mas não recorreu, caindo por isso para o Campeonato de Portugal. Pelo contrário, o Vitória interpôs recurso e uma providência cautelar para suspender a decisão e evitar, assim, que o sorteio dos campeonatos decorresse sem a sua presença.

O recurso para o TAD ainda não foi julgado, no que toca à acção principal, mas o tribunal decidiu nesta quinta-feira indeferir a providência cautelar, permitindo desta forma que o sorteio de sexta-feira prossiga. Ora, na ausência do Vitória, será o penúltimo classificado da época anterior, o Portimonense, a integrar os quadros da I Liga.

A reacção do Vitória chegou ao início da tarde, pela voz do presidente. “Eu disse que este seria um crime público e social o que estão a fazer ao clube, não nos querem deixar respirar. Vamos ter razão, e isto não vai ser decidido em tempo útil, daí a providência cautelar. Dêem-nos possibilidades de nos podermos defender. Se na decisão final não tivermos razão, ok, mas vão dar razão ao Vitória daqui a uns tempos e depois vão dizer ‘Ah, desculpem lá'… Estamos a falar de coisas graves”, sublinhou Paulo Gomes.

O dirigente alude a um prejuízo de um milhão de euros causado pela covid-19 e reitera a necessidade de o processo ser resolvido antes do arranque do campeonato, na terceira semana de Setembro. "A Liga devia ser equidistante a todos os clubes, mas foi a Liga contra o Vitória e o Vitória contra a Liga. Não deve puxar apenas para um dos lados. O que apresentámos no recurso não foi visto ou foi visto de forma ligeira. Tentámos apresentar um parecer de Alexandre Mestre, alguém com muita capacidade, que provasse a nulidade do processo, mas este parecer nem sequer foi visto. A análise das razões foi superficial”, lamentou.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal também já se pronunciou sobre a decisão do TAD, assegurando que a autarquia continuará a apoiar o Vitória. “Como sempre tem acontecido, e já o voltámos a demonstrar muito recentemente, continuaremos ao lado do clube para o apoiar na procura das melhores soluções que assegurem a sua viabilidade futura”, declarou Maria das Dores Meira no Facebook, recordando que o clube “é um verdadeiro símbolo da cidade”.

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