Deputados pró-democracia em Hong Kong detidos por participarem em protestos em 2019

Lam Cheuk-ting está acusado de envolvimento num ataque em Julho de 2019, quando membros das tríades espancaram manifestantes pró-democracia, incluindo o próprio deputado. Polícia diz que presença de Lam incentivou a violência.

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Deputado Lam Cheuk-ting foi uma das 16 pessoas detidas esta quarta-feira ALEX HOFFORD/EPA

A polícia de Hong Kong deteve nesta quarta-feira 16 pessoas, incluindo dois deputados pró-democracia, por participarem em protestos contra o Governo em Julho do ano passado.

Os deputados detidos são Ted Hui, que no início de Junho foi expulso do Parlamento durante a discussão que criminalizou insultos ao hino chinês, e o outro é Lam Cheuk-ting, acusado de ter participado num motim, durante o qual o próprio acabou hospitalizado.

“Podemos facilmente concluir que é uma vingança das forças políticas contra Ted Hui e Lam Cheuk-ting”, disse Wu Chi-wai, líder do Partido Democrático, da qual fazem parte os dois deputados, ao The Guardian, classificando as detenções como “ridículas”.

“É perseguição política e vingança”, acrescentou James To, outro deputado do partido, citado pelo Financial Times.

Lam Cheuk-ting está acusado de obstrução à Justiça, de causar distúrbios, destruição de propriedade pública e de envolvimento no motim da noite de 21 de Julho de 2019, quando um grupo de 100 homens com máscaras e t-shirts brancas entraram na estação de metro de Yuen Long, armados com paus e bastões, e atacaram indiscriminadamente passageiros, sobretudo pessoas que regressavam de manifestações contra Pequim.

O deputado Lam Cheuk-ting transmitiu o incidente em directo na sua página de Facebook, até que acabou por ele próprio ser agredido, e foi levado para o hospital. A polícia de Hong Kong, contudo, considera que a presença de Lam no local agravou a situação e deteve-o. 

Até esta quarta-feira, tinham sido feitas 44 detenções por suspeitas de participação no ataque na estação de metro de Yuen Long. O que realmente aconteceu naquela noite, no entanto, continua envolto em incertezas e polémicas.

O ataque foi levado a cabo pelas tríades (máfias chinesas) e a polícia de Hong Kong foi acusada de inacção e até de conluio com os mafiosos por activistas pró-democracia.

No início deste ano, foi apresentado um processo civil, do qual Lam também faz parte, contra a polícia de Hong Kong, acusando-a de não responder às chamadas dos manifestantes agredidos pelas tríades. Nas redes sociais, chegaram mesmo a circular imagens de membros das forças de segurança ao lado de homens mascarados e de t-shirts brancas. A polícia nega as acusações.

As detenções dos deputados pró-democracia surgem quase dois meses de a China ter implementado uma polémica lei de segurança nacional em Hong Kong, que pune os crimes considerados como secessionistas, subversivos e terroristas, bem como o conluio com forças estrangeiras.

Pequim considera a legislação necessária para proteger a região, enquanto os activistas pró-democracia, bem como vários países ocidentais e grupos de defesa dos direitos humanos, vêem-na como uma tentativa de eliminar qualquer dissidência, colocando em causa a autonomia do território.

Até ao momento, segundo o Guardian, foram detidas pelo menos 25 pessoas à luz da nova lei de segurança nacional. As últimas foram a activista Agnes Chow e o milionário Jimmy Lai, proprietário e fundador do diário Apple Daily e uma das principais figuras do movimento pró-democracia.