Retalho alimentar e Worten garantem subida de 6% nas vendas da Sonae até Junho

Provisões e reavaliação dos activos da Sonae Sierra, em resultado da pandemia, explicam boa parte do prejuízo de 75 milhões de euros registado pela Sonae no primeiro semestre.

Paulo Azevedo e Cláudia Azevedo na liderança da Sonae "num momento desafiante"
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Paulo Azevedo e Cláudia Azevedo na liderança da Sonae "num momento desafiante" NELSON GARRIDO

O segundo trimestre de 2020 “foi seguramente um dos mais desafiantes da história da Sonae”, destaca Cláudia Azevedo, presidente executiva da Sonae SGPS na apresentação de resultados da primeira metade do ano. Globalmente, “a Sonae cresceu 5% em termos homólogos no segundo trimestre e o EBITDA subjacente, em termos comparáveis, manteve-se estável face ao ano passado”, refere a CEO, lembrando que se tratou de “um desempenho notável”, considerando que muitas das operações do grupo “estiveram encerradas durante várias semanas” devido à pandemia de covid-19.

Do ponto de vista estatutário, o volume de negócios consolidado cresceu 6%, para 3136 milhões de euros nos primeiros seis meses, em termos homólogos, sendo o crescimento entre Abril e Junho de 5%, para 1584 milhões, adianta a Sonae SGPS (proprietária do PÚBLICO) em comunicado divulgado esta quarta-feira.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) subjacente consolidado atingiu os 256 milhões de euros, menos 5,3% face a igual período do ano passado. Uma redução “explicada sobretudo pela desconsolidação de dois centros comerciais core (consequência da transacção Sierra Prime) nas contas estatutárias da Sonae Sierra e pelo impacto negativo do período de confinamento na Sonae Sierra e na Sonae Fashion”, adianta o grupo. Excluindo o impacto do Sierra Prime, “o EBITDA subjacente da Sonae teria permanecido estável em termos homólogos no semestre”, refere a empresa.

O resultado líquido atribuível a accionistas no semestre foi negativo, em 75 milhões de euros, acima dos 56 milhões, igualmente negativos, registados no primeiro trimestre, “principalmente influenciado” pelas provisões realizadas no primeiro trimestre (de 76 milhões) e pela redução da avaliação dos activos da Sonae Sierra no segundo trimestre, “ambas directamente relacionadas com a covid-19”.

O volume de negócios consolidado da Sonae MC (dona dos hipermercados Continente) continua a representar mais de dois terços do volume de vendas total, tendo ascendendo a 2431 milhões de euros no final de Junho, um crescimento de 11,5% em termos homólogos, com o negócio online “a registar um crescimento de dois dígitos durante o segundo trimestre” e permanecendo em níveis elevados mesmo após o fim do período de confinamento, destaca o grupo.

A margem EBITDA subjacente situou-se em 9,3%, ligeiramente abaixo dos 9,5% homólogos, explicada pelo acréscimo de despesas com as medidas de protecção da pandemia.

No retalho de electrónica, a Worten, os desempenhos em Portugal e em Espanha foram distintos: apesar dos encerramentos em Espanha e como resultado do aumento online, o volume de negócios cresceu 6% em termos homólogos, atingindo 482 milhões de euros na primeira metade do ano.

Entre os negócios com maior impacto da pandemia está a Sonae Sierra. Numa base contabilística proporcional, o resultado líquido entre Abril e Junho “foi negativo em 56 milhões de euros, dividido entre três milhões de resultado directo e 53 milhões de resultado indirecto, este último relacionado principalmente com reavaliações de activos durante o trimestre, uma vez que o valor dos activos sofreu com o aumento das yields e com os impactos operacionais relacionados com a pandemia”.

Na Sonae Fashion, o segundo trimestre “foi atípico e afectado pelo encerramento de todas as lojas”, com “a Zippy e a MO a registaram valores das vendas online 5 e 6 vezes superiores, respectivamente, tendo atingido o valor das vendas de 2019 em apenas um trimestre”. Globalmente, o volume de negócios da Sonae Fashion nos primeiros seis meses situou-se em 131 milhões de euros, diminuindo 25% em termos homólogos.

Na primeira metade do ano, a dívida líquida total do grupo diminuiu 498 milhões de euros em termos homólogos, ou 28,4%, para 1257 milhões, refere ainda o grupo, que no período investiu 113 milhões, dos quais 89 milhões realizados pela Sonae MC, área onde criou 1500 novos empregos.

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