Kamala Harris aceita nomeação histórica nos EUA: “Vamos eleger alguém que nos una”

Senadora da Califórnia disse que o presidente Trump deixou o país “num estado de declínio” e acusou-o de “falta de sensibilidade”. Antes dela, o ex-presidente Barack Obama acusou Trump de apenas “se ajudar a si próprio e aos seus amigos”.

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A senadora da Califórnia foi oficialmente nomeada candidata a vice-presidente dos Estados Unidos Reuters/KEVIN LAMARQUE
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Kamala Harris com o seu marido, Douglas Emhoff,Kamala Harris com o seu marido, Douglas Emhoff Reuters/KEVIN LAMARQUE,Reuters/KEVIN LAMARQUE
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Barack Obama acusou Trump de "se ajudar a si próprio e aos seus amigos" Reuters/BING GUAN
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Hillary Clinton apelou ao voto e recordou que perdeu mesmo recebendo mais três milhões de votos do que Trump Reuters/POOL
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A senadora Elizabeth Warren salientou as propostas de Joe Biden para o apoio à infância EPA/DNCC

A senadora norte-americana Kamala Harris aceitou, esta noite, a nomeação do Partido Democrata para ser candidata à vice-presidência dos Estados Unidos, lançando um apelo aos eleitores para que elejam Joe Biden em Novembro e acusando o Presidente, Donald Trump, de ser um fracasso de liderança que custou vidas e postos de trabalho durante a pandemia.

Ao mesmo tempo que fazia história como a primeira mulher negra e asiática-americana numa candidatura de um dos maiores partidos norte-americanos, Harris disse que Trump deixou o país num “estado de declínio” e fez um apelo ao eleitorado diversificado do Partido Democrata, cujo voto é fundamental para derrotar o Presidente norte-americano em Novembro.

“O constante caos deixa-nos à deriva, a incompetência deixa-nos com medo, a falta de sensibilidade deixa-nos sozinhos”, disse a senadora da Califórnia e antiga procuradora-geral do seu estado, que discursou num centro de eventos em Wilmington, no Delaware, onde Biden reside.

“Vamos eleger um presidente que nos una – negros, latinos, asiáticos, indígenas – e que nos leve ao futuro que queremos. Temos de eleger Joe Biden”, disse Harris.

Pouco antes da candidata a vice-presidente dos Estados Unidos falou o antigo presidente Barack Obama, que também lançou um forte ataque ao seu sucessor republicano, dizendo que Trump usou o poder do seu cargo para “se ajudar a si próprio e aos seus amigos”.

Obama, que teve como seu vice-presidente Joe Biden, entre 2009 e 2017, disse ter esperado que Trump desempenhasse o cargo de forma séria, que acabasse por sentir o peso da presidência e mostrasse respeito pela democracia americana.

“Durante quase quatro anos, ele não mostrou nenhum interesse em esforçar-se, nenhum interesse em tratar a presidência como algo para lá de um reality show que pode usar para ser o centro das atenções”, disse Obama, num pouco habitual ataque de um antigo presidente a um sucessor em exercício.

A nomeação de Harris foi o auge de uma terceira noite da convenção do Partido Democrata dominada por uma presença feminina, que pôs em evidência o crescente poder das mulheres na política e no partido. A liderança de Biden nas sondagens assenta numa grande vantagem em relação a Trump no eleitorado feminino.

Se for eleito, Biden, de 77 anos, será o mais velho Presidente dos Estados Unidos, o que tem levado à especulação de que apenas cumprirá um mandato. A nomeação de Harris, de 55 anos, como candidata a vice-presidente, faria dela uma potencial sucessora em 2024.

Kamala Harris voltou a apresentar-se ao país depois da sua candidatura mal sucedida à Casa Branca. Harris salientou o seu passado como filha de imigrantes da Índia e da Jamaica, que como procuradora distrital e procuradora-geral da Califórnia, e agora como candidata a vice-presidente, quebrou barreiras raciais e de género. E disse que conseguiu fazer história graças aos esforços das mulheres que lutaram pelo direito ao voto.

“O facto de eu estar aqui esta noite é uma prova da dedicação das gerações anteriores à minha”, disse Harris. “Elas organizaram-se, manifestaram-se e lutaram – não apenas para poderem votar, mas também para fazerem parte do processo de decisões.”

“Votem, aconteça o que acontecer”

Durante a última meia hora da convenção do Partido Democrata, Donald Trump escreveu três mensagens no Twitter, com críticas a Harris e a Obama e questionando a fidelidade de ambos a Biden.

Num discurso a partir do Museu da Revolução Americana em Filadélfia, no estado da Pensilvânia, Obama avisou que Trump e o Partido Republicano estão a tentar dificultar o voto dos eleitores e disse que a liderança do Presidente norte-americano é uma ameaça à democracia.

“Não podemos permitir que isso aconteça. Não deixem que vos tirem a democracia. Façam um plano agora mesmo sobre como vão votar”, disse Obama.

O Partido Democrata está alarmado com as frequentes críticas de Trump ao voto por correspondência e com os cortes nos correios norte-americanos feitos pelo director da agência USPS, Louis DeJoy, um apoiante do actual Presidente, que podem atrasar a chegada dos boletins de voto e prejudicar as eleições.

Hillary Clinton, a candidata à presidência do Partido Democrata em 2016, disse que ouve constantes lamentos de eleitores que votaram em Trump há quatro anos ou que se abstiveram. Clinton ganhou o voto popular, mas perdeu no Colégio Eleitoral, que é o que determina a eleição do Presidente dos Estados Unidos.

“Isto não pode voltar a acontecer”, disse Hillary Clinton. “Votem, aconteça o que acontecer. Votem como se as nossas vidas e os nossos postos de trabalho estivessem em jogo, porque estão mesmo.”

A antiga secretária de Estado norte-americana disse também que Joe Biden tem de ganhar de forma avassaladora. “Joe e Kamala podem ter mais três milhões de votos [do que Trump] e mesmo assim perder”, afirmou. “Olhem para mim. Por isso, temos de vencer por números convincentes para que Trump não possa vencer com estratagemas e esquemas.”

Ao longo da convenção, o Partido Democrata tem apelado directamente às mulheres, sublinhando a participação de Biden na Lei da Violência contra as Mulheres, de 1994, e as suas propostas para reforçar o apoio às crianças e a protecção dos cuidados de saúde.

A senadora Elizabeth Warren, uma das vozes da ala progressista que concorreu contra Biden nas eleições primárias, discursou a partir de um jardim-de-infância no estado do Massachusetts​ que foi encerrado por causa do novo coronavírus. E salientou a proposta de Biden para baixar os custos dos cuidados à infância como uma parte vital do seu plano para ajudar os trabalhadores norte-americanos.

“A covid-19 foi o grande teste de Trump. E ele falhou em toda a linha”, disse Warren. “Joe e Kamala vão tornar os cuidados à infância acessíveis para todas as famílias, vão instituir a universalidade do ensino pré-escolar e vão aumentar os salários de cada profissional do ramo.”

Biden nomeou Harris como sua parceira de candidatura na semana passada, para enfrentar Trump, de 74 anos, e o vice-presidente, Mike Pence, de 61. A convenção do Partido Republicano, também virtual, vai ter lugar na próxima semana.

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