Lares: António Costa defende ministra do Trabalho e fala em “polémicas artificiais”

Primeiro-ministro diz que mantém “toda a confiança” em Ana Mendes Godinho e garante que a ministra não desvalorizou situação do lar de Reguengos de Monsaraz.

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António Costa LUSA/TIAGO PETINGA

O primeiro-ministro saiu nesta terça-feira em defesa da Ministra do Trabalho e da Solidariedade, Ana Mendes Godinho, a propósito na polémica em torno do lar de Reguengos de Monsaraz. E assegura que mantém “toda a confiança” em Ana Mendes Godinho. A declaração do líder do Governo aconteceu pouco depois de a ministra ter afirmado que leu todos os relatórios e que está a acompanhar a situação de todos os lares.

António Costa assegurou mesmo que “não houve nenhuma tentativa de desvalorização” por parte da ministra quando afirmou que não tinha lido o relatório da ordem dos médicos sobre o lar de Reguengos de Monsaraz.

“Relativamente a este caso que tem sido mais falado nos últimos dias, a propósito do lar de Reguengos de Monsaraz, gostaria de recordar que a senhora ministra do Trabalho e da Solidariedade, Ana Mendes Godinho, instaurou um inquérito logo no dia 12 de Julho e no dia 16 de Julho já estava a comunicar os resultados do inquérito ao Ministério Público”, afirmou Costa, após ter participado na reunião do Centro de Coordenação Operacional Nacional, na Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, em Lisboa, sobre incêndios rurais.

O primeiro-ministro acrescentou que “os relatórios que têm sido feitos posteriormente não são uma novidade” e “têm até factos contraditórios”.

“Neste momento, não nos devemos distrair daquilo que é o essencial, nem estamos aqui com polémicas que são artificiais. Cada um deve-se concentrar a fazer aquilo que lhe compete fazer. Ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade compete fiscalizar os lares e apoiar os lares”, acrescentou, salientando que a primeira preocupação do Governo “é apoiar” os lares.

Costa garantiu depois que não houve por parte de Ana Mendes Godinho “qualquer tentativa de desvalorizar” a situação. “O que não podemos fazer é confundir a árvore com a floresta. Isso é muito importante, porque as famílias têm pessoas que estão internadas nos lares. Nós não podemos criar uma situação de alarme que não se justifica”, afirmou ainda.

Polémicas artificiais

Costa defendeu que “todas as situações devem ser contextualizadas” para “não criar alarmes” nas famílias. “A situação já é suficientemente grave para estarmos a gastar energias com polémicas que são artificiais. Que cada um faça o seu trabalho. Eu nunca gosto de alimentar polémicas”, afirmou ainda António Costa.

O primeiro-ministro disse que aquilo faz é “alargar o estômago para ter uma maior capacidade de gestão de muitas coisas” que vai ouvindo que não vai “responder agora”.

António Costa acrescentou que “este não é momento de andar a apontar os dedos uns aos outros”. “Eu também o podia fazer, mas não vou fazer. Engolirei em seco, farei a minha digestão e farei aquilo que me compete. Não vale a pena pedir a demissão de um membro do Governo, porque quando não tiver confiança em algum membro do Governo eu resolvo o problema. Tenho toda a confiança na senhora ministra Ana Mendes Godinho e no trabalho excepcional que tem vindo a fazer”, assegurou.

Já sobre os vetos do Presidente da República, nomeadamente ao da redução de debates sobre a União Europeia, António Costa recusou qualquer comentário.

“Não comento obviamente aquilo que são actos do Presidente da República relativamente a actos da Assembleia da República. Aquilo que primeiro-ministro, ministros e secretários de Estado fazem é cumprir os seus deveres. Se os debates forem diários, lá estaremos diariamente, se forem anuais, lá estaremos anualmente. Dançamos conforme a pauta de música que for traçada”, disse.

O primeiro-ministro prestava declarações aos jornalistas após presidir à reunião do Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON) da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), na sede de Carnaxide. A propósito do tema concreto da reunião, Costa apelou aos portugueses para que não baixem a guarda em relação à prevenção dos riscos de fogos rurais e lembrou que Julho “foi o mês mais quente desde 1931”.

“O apelo que gostaria de fazer a todas e todos os portugueses é que, apesar de dias anómalos para o que é normal em Agosto, não esquecer que não podemos baixar, também na prevenção de riscos de incêndio, a guarda. Tal como é fundamental usarmos máscara, lavarmos constantemente as mãos, é absolutamente fundamental evitar todos os comportamentos de risco que possam criar riscos de incêndio”, disse.