Raios ultravioleta: os inimigos da visão

Além da pele, o olho é órgão mais susceptível à radiação solar e aos seus efeitos nocivos. Fique atento à sua visão!

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"A forma mais eficaz de evitar os efeitos nocivos da radiação solar nos nossos olhos é o uso de óculos de sol adequados" PÚBLICO

Todos estamos sensibilizados para os efeitos nocivos que a exposição excessiva de radiação ultravioleta pode causar na pele. Em todas as férias de Verão vemos alguém com queimaduras solares. E sabemos que a radiação ultravioleta é um factor de risco acrescido para o melanoma cutâneo. Por isso devemos evitar as horas de maior exposição solar e proteger a nossa pele dos seus efeitos.

Além da pele, o olho é órgão mais susceptível à radiação solar e aos seus efeitos nocivos. A transmissão da luz através do olho é fundamental uma vez que nos proporciona a visão e a regulação do ritmo circadiano. A radiação solar expõe o olho a radiação UV-B, UV-A e luz visível. A exposição excessiva pode determinar também lesões para a retina, córnea (a camada mais superficial dos olhos) e cristalino do olho humano (uma lente natural fundamental para que as imagens sejam focadas na retina e que filtra a radiação UV).

As lesões oculares relacionadas com a exposição à radiação UV dependem da intensidade da radiação (índice de radiação UV) e do tempo de exposição. As lesões agudas são raras. A fotoqueratite, queimadura da córnea, gera dor, intolerância à luz e a diminuição transitória da acuidade visual, e pode resultar de exposição prolongada aos UV-B como acontece por exemplo na neve. A retinopatia solar pode surgir quando se observa um eclipse sem a adequada protecção.

A exposição a longo prazo à radiação UV-B contribui para o aparecimento de cataratas (perda de transparência do cristalino) e degenerescência macular ligada à idade (doença degenerativa da área central da retina, a mácula). Ambas as situações surgem pela sétima década de idade e constituem-se como uma das principais causas de cegueira.

Os efeitos cumulativos ao longo da vida da radiação UV contribuem para o desenvolvimento de cataratas, que afectam 50% da população acima dos 65 anos e 75% acima dos 75 anos de idade. O seu tratamento é cirúrgico e actualmente existem técnicas cirúrgicas que tornam a cirurgia mais simples, segura e com excelentes resultados.

A retina dos adultos jovens está menos protegida porque o seu cristalino absorve menos radiação UV e o efeito cumulativo desta contribui para o posterior aparecimento da degenerescência macular. Por outro lado, a camada pigmentar que na retina absorve a radiação UV e a protege dos seus efeitos vai com a idade perdendo essa capacidade.

Em Portugal, cerca de 12% das pessoas acima dos 55 anos sofrem de degenerescência macular. A forma mais precoce (85 a 90% dos casos) em regra não provoca sintomas relevantes. As formas tardias ou avançadas são responsáveis por 10% a 15% das ocorrências e podem provocar perda grave e irreversível da visão central ou de leitura.

A forma mais eficaz de evitar os efeitos nocivos da radiação solar nos nossos olhos é o uso de óculos de sol adequados que permitam uma eficaz protecção contra a luz UV. Essa é ainda mais importante nos mais jovens porque passam mais tempo expostos à luz ambiente e o seu cristalino, filtra menos luz UV do que os adultos. Quando escolhemos óculos de sol pensamos mais na questão estética. Mas devemos estar sobretudo atentos aos aspectos relacionados com a qualidade das lentes. Que deverão ter uma capacidade de filtração de toda a radiação UV e devem oferecer uma boa qualidade ótica para evitar a distorção das imagens. E uma coloração capaz de proporcionar conforto na presença de luz, sem ser demasiado escuras para não adulterarem as cores naturais dos objectos e a acuidade visual. Quando compramos um par de óculos de sol, devemos sempre confirmar a presença do símbolo CE e da inscrição do standard a que obedece a fabricação. Na Europa (e em Portugal) existe um standard próprio (EN-1836 de 1997) que exige a identificação do fabricante; número de categoria do filtro; adequabilidade para conduzir.

O tratamento destas doenças é tanto mais eficaz quanto mais precoce for a detecção da doença. Sendo os idosos os mais atingidos não deverão, pelo medo de recorrerem a unidades de saúde durante a pandemia, protelar a observação periódica em consultas de Oftalmologia, sobretudo se detectarem alterações na sua acuidade visual.

O acompanhamento médico regular e a realização de exames oftalmológicos permitem prevenir e detectar patologias que tardiamente diagnosticadas podem ser irreversíveis.