Crónica de jogo

Shakhtar de Luís Castro sem antídoto para o Inter de Conte

Num jogo extremamente táctico, os italianos aproveitaram um erro ucraniano para ganhar vantagem e, com frieza, construíram na última meia-hora uma goleada que garante um lugar na final da Liga Europa.

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LUSA/LARS BARON / POOL

Os números são pesados e não reflectem o que se passou na segunda meia-final da Liga Europa, mas de forma justa o Inter de Milão garantiu um lugar na final da Liga Europa e vai defrontar, na próxima sexta-feira, o Sevilha, em Colónia. Num frente a frente extremamente táctico entre Antonio Conte e Luís Castro, o Shakhtar equilibrou o duelo em Düsseldorf durante uma hora, mas o cinismo italiano fez a diferença: aproveitando os erros do rival, os “nerazzurri” construíram uma goleada (5-0), com Romelu Lukaku novamente em destaque.

Com o título ucraniano garantido desde Junho, a equipa de Donetsk teve tempo para preparar o ataque europeu e, nos dois jogos neste mês na Liga Europa, o Shakhtar tinha mostrado estar “no ponto” para tentar repetir a final de 2009, em que, sob o comando de Mircea Lucescu, venceu o Werder Bremen, conquistando o seu único título europeu

Após derrotar de forma clara o Wolfsburgo (3-0) e o Basileia (4-1), Castro manteve a receita dos jogos internacionais. Se na Ucrânia, onde a concorrência é frágil, o técnico quase nunca abdicou do 4x2x3x1, com Taison e Marlos a jogarem próximos de Júnior Moraes, na versão europeia a fórmula voltou a ser o 4x1x4x1. 

Tendo pela frente rivais mais qualificados, a estratégia do treinador transmontano passava por ter a equipa compacta, com Stepanenko a servir de escudo protector à frente do quarteto defensivo e Moraes mais solitário no ataque. No duelo táctico com Antonio Conte, Luís Castro encontrou, no entanto, uma das suas kryptonites. 

Para além da qualidade dos jogadores do Inter, a equipa de Milão jogou no seu habitual 3x5x2 e, tal como tinha acontecido ao longo da época nos embates europeus, o 4x1x4x1 de Castro não se encaixou no 3x5x2 adversário. Na fase de grupos da Liga dos Campeões, o Shakhtar já tinha mostrado dificuldades contra o Dínamo Zagreb (dois empates) e a Atalanta (derrota clara em casa, por 0-3), equipas fiéis ao 3x5x2. Com o Inter, a história não foi diferente. 

Desde o pontapé de saída que ficou claro que seria um jogo de paciência, com muita preocupação com os aspectos tácticos e pouca  “nota artística”. O resultado foi um início enfadonho e discutido a meio-campo. Mas o primeiro erro começou a desequilibrar o duelo para os italianos.

Aos 19’, sem qualquer remate às balizas, Pyatov cometeu um erro na reposição de bola, colocando-a nos pés de Barella. Com espaço, o italiano aproveitou a desorganização ucraniana e assistiu Lautaro Martínez que, de cabeça, penalizou a falha do guarda-redes do Shakhtar. No primeiro remate, o Inter ganhava a vantagem que lhe permitia fazer o jogo cínico de que tanto gosta.

A partir daí, pouco mudou. Apesar de ter mais posse de bola, o Shakhtar não encontrava espaço para que os seus criativos conseguissem criar perigo e, até à entrada do último terço da partida, houve apenas mais uma oportunidade para cada lado.

Obrigado a arriscar, Luís Castro lançou o israelita Solomon e, aos 62’, Moraes teve na cabeça a oportunidade de empatar — o remate saiu enrolado e fraco. A principal ameaça do Shakhtar acabou por ser a última.

Menos de dois minutos depois, D’Ambrosio fez de cabeça o 2-0 e o Shakhtar perdeu o equilíbrio, a solidez táctica desapareceu e os dois avançados do Inter agradeceram. Aos 74’, Lautaro bisou, mas ainda faltava Lukaku deixar a sua marca. O avançado belga marcou aos 78’ e 84’, reforçando o seu registo ímpar na Liga Europa: 14 golos nos últimos dez jogos (divididos entre Everton e Inter) que fez na prova.

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