Ambiente

Encontrar iogurtes dos anos 80 foi insólito — mas o lixo que eles apanham na praia não é raro

Lídia e Manuel Nascimento limpam praias há décadas e já encontraram peças de carros, lixo dos anos 80 e até uma embalagem de cloroquina. Mostram tudo na página Mar à Deriva - Adrift Sea.

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Pilhas, embalagens de iogurte ou garrafas são apenas alguns dos muitos resíduos que Lídia e Manuel Nascimento limpam diariamente das praias de Santa Cruz, em Torres Vedras. Ela é tradutora e ele é restaurador de arte, mas ambos são defensores da natureza. Já há décadas que o casal se dedica à recolha de lixo, mas só recentemente criou uma página no Facebook onde partilha o que encontra, a Mar à Deriva - Adrift Sea.

“Recolhemos lixo desde miúdos, mas na altura havia menos. No Inverno passado começou a aparecer mesmo muito lixo, microplásticos e muitos cotonetes, e começámos a recolher quase diariamente. Em Abril, encontrámos dois cavalos-marinhos, o que não era habitual, e estavam rodeados de microplásticos. Decidimos começar a partilhar o que íamos encontrando porque vimos que a situação estava a piorar bastante e queremos que as outras pessoas se apercebam do que se está a passar”, explica Lídia Nascimento ao P3.

O casal costuma recolher lixo nas praias de Santa Cruz, mas às vezes também limpa praias na Ericeira, em Peniche e até no estrangeiro. A experiência já os leva a perceber padrões nas zonas onde o lixo se acumula. “As praias onde aparece mais lixo têm uma entrada de rochedos que cria uma espécie de baía e o lixo costuma acumular-se aí, como nas praias da Mexilhoeira e na praia Azul”, refere Lídia Nascimento.

Entre embalagens de protector solar, pacotes de leite ou brinquedos, o lixo encontrado é diverso. Recentemente, a Mar à Deriva esteve nas notícias devido à descoberta de um buraco nas dunas da praia de Peniche que continha dezenas de embalagens de iogurtes dos anos 80, sacos de ossos de frango e cascas de caracóis. Contudo, há achados ainda mais surpreendentes  um deles até tem estado nas bocas do mundo durante a pandemia.

“O que nos surpreendia mais era encontrar peças de carros, costumamos dizer que já só nos falta encontrar um carro inteiro", graceja Lídia. "Depois dessa recolha do lixo dos anos 80, encontrámos aquilo que foi mais estranho até hoje: uma embalagem de cloroquina do exército francês. Com os tempos que estamos a viver, foi o achado mais fora do normal. A embalagem parece que tem bastantes anos, apesar de muitas das inscrições já terem desaparecido. Provavelmente, veio pelo mar.”

Texto editado por Amanda Ribeiro

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