Cenas de um casamento (com gado bravo à mistura)

Um filme de contrastes e contradições, a história de um paraíso que se perde por causa da força de uma mulher e da fraqueza de um homem – depois da luz, as trevas, naquele que é para nós o melhor (o grande?) filme de Reygadas.

cultura,ipsilon,critica,cinema,culturaipsilon,mexico,
Fotogaleria
©Mantarraya and NoDream Cinema
cultura,ipsilon,critica,cinema,culturaipsilon,mexico,
Fotogaleria
©Mantarraya and NoDream Cinema

Os homens querem-se feios e a cheirar a cavalo, diz uma piada lusitana, mas não seria surpreendente que existisse um equivalente mexicano, porque às tantas em O Nosso Tempo duas mulheres riem-se a propósito dos seus maridos. “Não há quem os arranque da porra das herdades!”. E da maneira como Carlos Reygadas filma os espaços rurais, até se percebe: o rancho que é central à acção de O Nosso Tempo é filmado — mesmo quando a luz se embaça e o nevoeiro e a chuva chegam — como um paraíso. Permanentemente à beira de se perder, como demonstra a fulgurante abertura com um grupo de crianças a brincar na lama, antes da câmara se deter mais nos adolescentes onde as questões do amor já começam a envenenar a felicidade.