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Estes painéis de feltro portugueses isolam o som e são uma inovação europeia

São módulos de feltro com componente acústica e de iluminação que foram identificados pela Comissão Europeia como inovação pronta a entrar no mercado têxtil. Felt the Future nasceu no Sanjotec e aproveita “técnicas, ferramentas e os restos da indústria mais tradicional e identitária de São João da Madeira”.

O Parque de Ciência e Tecnologia de São João da Madeira (Sanjotec) anunciou esta quinta-feira a concepção de módulos de feltro, cuja componente acústica e de iluminação foi identificada pela Comissão Europeia como inovação pronta a entrar no mercado têxtil.

Consistindo numa peça circular com 30 centímetros de diâmetro, suportada por um bastidor como os de bordado, cada painel protótipo desenvolvido por esse centro tecnológico do distrito de Aveiro é constituído em feltro resultante de pelo animal ou resíduos industriais de outros têxteis, pode ser personalizado com diferentes cores e padrões, e está ainda apto a incorporar sistemas de iluminação personalizados.

A inclusão de colunas de som nessas estruturas também está a ser testada, mas, independentemente das funcionalidades já asseguradas ou ainda em estudo, a responsável pelo departamento de projectos e inovação do Sanjotec, Ana Sampaio, explicou à Lusa que o novo produto é particularmente ajustado aos mercados da arquitectura e decoração de interiores devido às mais-valias do seu sistema modular: “Versatilidade da configuração ao gosto do cliente, fácil montagem e desmontagem, isolamento acústico e sustentabilidade ecológica”.

O conceito partiu do Sanjotec, que, tendo como uma das suas associadas a spin-off da Universidade do Minho Givaware, lhe confiou o desenvolvimento dos primeiros protótipos e consultou ainda entidades de São João da Madeira como a empresa Fepsa, líder mundial em feltro premium para chapelaria, e as startups Feltrando, especializada em mobiliário com essa matéria-prima, e Olives, focada em feltragem para calçado.

O projecto foi baptizado com o nome Felt the Future — expressão em que a palavra inglesa “felt” joga com o duplo sentido de “feltro” e “sentiu" — e foi financiado em 21 mil euros pelo programa internacional Horizonte2020, estando agora o produto final incluído na lista de 3600 novidade identificadas pelo Radar de Inovação da União Europeia pela sua “maturação, potencial de mercado e elevada qualidade de execução”.

Ana Sampaio acrescentou que, para esse “reconhecimento”, contribuiu não só o design do produto acabado, mas também a pegada ambiental do seu processo de fabrico, uma vez que todo o projecto foi desenvolvido “para beneficiar a economia circular”, promovendo o aproveitamento dos resíduos da indústria de feltragem para novos fins.

“A ideia é aproveitar técnicas, ferramentas e os restos da indústria mais tradicional e identitária de São João da Madeira para criar produtos mais sofisticados, com tecnologia contemporânea e design adequado às tendências do estilo de vida actual”, declarou a responsável do Sanjotec, realçando, contudo, que o conceito base não é de aplicação restrita ao feltro e se aplica igualmente a “outros materiais têxteis”.

A comercialização dos módulos Felt the Future dependerá agora da iniciativa privada: “O produto está apto a ser apropriado pelo mercado e o que se pretende é que empresas interessadas no sistema se manifestem, para começarem a implementar a sua produção e distribuição”.

Outra vantagem do negócio é que os referidos painéis de feltro apresentam “grande durabilidade e resistência à abrasão”, domínios em que os testes demonstraram que o desempenho dessa matéria-prima é “cinco vezes superior ao de outras estruturas têxteis”.

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