Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

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Não, a festa do Avante! não é importante

Permitir a realização de um evento desta natureza, que traz milhares de pessoas, e proibir outros eventos é totalmente descabido, incompreensível e incoerente.

A realização da festa do Avante! é o que precisávamos de saber para termos a consciência da inconsciência que por aí anda. É certo e sabido que as festas não estão proibidas por lei, mas os festivais estão até 30 de Setembro. Também sabemos que a maioria das festas e dos festivais foi anulada por razões de saúde pública. O bem maior que todos nós temos que ter em mente.

Mais importante que a festa do Avante! seriam as festas de Verão de Norte a Sul do país que criam riqueza local e que, por uma mera questão de coerência e respeito, não foram feitas. Não. A festa do Avante! não é importante, como não é importante nenhuma festa política nos tempos que agora correm.

Não são as festas que tiram ou dão direitos aos trabalhadores. Todos compreendemos que esta grande festa é o “clímax” do Partido Comunista Português, mas este “clímax” nem sempre pode ser atingido.

Esta festa veio demonstrar um país que já sabíamos existir. Também o salário mínimo é diferente para muitos portugueses: para uns é de 635 euros, para outros é de 650 euros. Toda esta dualidade de critérios é inexplicável. 

Realizar esta festa é um absurdo. Tudo isto deveria seguir um princípio que não segue. O de dar o exemplo, seja por parte do promotor do evento, seja por parte de quem autoriza a sua realização — dispenso-me aqui de tecer quaisquer considerações em relação à autorização, que talvez mais à frente iremos perceber. O que agora devemos entender é o perigo de ajuntamentos que o próprio Governo e a Direcção-Geral de Saúde vêm apregoando desde o início desta pandemia que ainda não terminou. Até lá, todo o cuidado é pouco.

A questão de fundo que se deveria ponderar é só esta: o perigo que pode advir dos ajuntamentos. E este perigo só é afastado, a bem de todos nós, sem festas sem festivais, sem nada que possa trazer milhares de pessoas. A festa do Avante! é a antítese de tudo aquilo que ao longo de todos estes tempos as autoridades nos têm vindo a alertar. Mas alguém acredita que cerca de 100 mil pessoas (o esperado) podem cumprir o distanciamento social? Quem fiscaliza tudo isto? 

Foi por ser impossível cumprir algumas destas tão importantes medidas de segurança que muitos eventos foram desmarcados. Foram cancelados inúmeros festivais de Verão e canceladas todas as festas tradicionais que muitas vezes são o “ganha-pão” de múltiplos agentes económicos que só têm no Verão o seu possível sustento.

O que perdia o país com a não-realização da festa do Avante!? Nada. Quando um partido político, seja ele qual for, precisar de uma festa para se afirmar, muito mal vai este país.

Permitir a realização de um evento desta natureza, que traz milhares de pessoas, e proibir outros eventos é totalmente descabido, incompreensível e incoerente. Não podemos ir à bola, mas podemos ir ao Avante! — um não é mais importante que outro. Ou as regras são iguais para todos ou não vale a pena acreditar em quem nos governa, mas enquanto houver estrada para andar, não nos poderemos calar perante tamanha falta de consciência. Não pode valer tudo, não pode ser assim, não deve ser assim.

Acham a festa do Avante! muito importante? Eu acho que não, e sei que para muitos comunistas era totalmente dispensável.

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