Rui Cardoso Martins: “A bondade é sexy

O escritor e argumentista preza a verdade: “No plano geral da sociedade, política e jornalismo, sempre a verdade.” Mas há ocasiões em que mente, admite: “Para fazer o bem, espero.”

Foto
Nuno Ferreira Santos

Qual a sua ideia de felicidade perfeita?
Uma vacina multicoronavírus para 7,7 mil milhões de pessoas já na próxima segunda-feira, à borla.

Qual é o seu maior medo?
Não digo, para não azarar.

Na sua personalidade, que característica mais o irrita?
Uma persistente repetição do que menos interessa. Uma persistente repetição do que menos interessa.

E qual o traço de personalidade que mais o irrita nos outros?
Imagino que coincida com o ponto 3.

Que pessoa viva mais admira?
Esse é que é o problema dos nossos dias!

Qual a sua maior extravagância?
Todos os anos choro a 25 de Dezembro com “Música no Coração”.

Qual o seu estado de espírito neste momento?
De onde vem esta dor de cabeça, se ontem me portei bem?

Qual a virtude que pensa estar sobrevalorizada?
A verdade a todo o custo. Isto no plano simples da chamada vida das pessoas (Se dissermos tudo o que pensamos a toda a hora, é uma desgraça). No plano geral da sociedade, política e jornalismo, sempre a verdade.

Em que ocasiões mente?
Para fazer o bem, espero. Ou melhor, para tentar evitar o pior.

O que menos gosta na sua aparência física?
Tive belos caracóis, há documentos. Mas na sociedade a aparência física tem demasiado peso (no meu caso, uns sete quilos).

Entre as pessoas vivas, qual a que mais despreza?
Jair Bolsonaro ainda vive neste instante, parece.

Qual a qualidade que mais admira num homem?
A coragem e a bondade. Também gosto desta fala de Hemingway: ironia e compaixão.

E numa mulher?
A coragem, a bondade e a beleza. A bondade é sexy.

Diga uma palavra – ou frase – que usa com muita frequência.
“A pior coisa que me pode acontecer é…” (depois aplico-a a quase tudo)

O quê ou quem é o maior amor da sua vida?
A saúde dos meus.

Aonde e quando se sente mais feliz?
Quando acabo um maldito trabalho de anos. Espera, ainda falta não sei quê…

Que talento não tem e gostaria de ter?
Músico a sério.

Se pudesse mudar alguma coisa em si o que é que seria?
Mais organizado.

O que considera ter sido a sua maior realização?
Será, será…

Se houvesse vida depois da morte, quem ou o quê gostaria de ser?
Eu, com os poderes de Deus, tinha outra atitude.

Onde prefere morar?
Entre Lisboa e o Alto Alentejo.

Qual o seu maior tesouro?
Não digo, para não mo roubarem.

O que considera ser o cúmulo da miséria?
A cupidez e a avareza, muitas vezes vêm juntas.

 Qual a sua ocupação favorita?
“A lei moral dentro de mim e o céu estrelado por cima de mim”, Kant. Sou muito faz-tudo, o que não ajuda.

A sua característica mais marcante?
Falar com pessoas que não se falam entre si (até que falho). E gosto de ver o mundo, mesmo quando não gosto dele.

O que mais valoriza nos amigos?
A rapidez na aflição. E depois a lentidão.

Quem são os seus escritores favoritos?
Gogol, Dostoiévski, Shakespeare, Camões, e vou parar se não é impossível.

Quem é o seu herói de ficção?
Nelson Mandela.

Com que figura histórica mais se identifica?
Queria um banquete com Sócrates, Platão e Aristótoles, mas vim tarde.

Quem são os seus heróis na vida real?
Nelson Mandela, Albert Einstein.

Quais os nomes próprios de que mais gosta?
Henrique, Sara, Lourenço, Vasco e Inês.

Qual o seu maior arrependimento?
Ter acreditado numa mentira piedosa e tê-la passado a inocentes (não desmente o resposta 9).

Como gostaria de morrer?
Não gostando, suave ou dramática, que sirva para alguma coisa.

Qual o seu lema de vida?
“Se fosse fácil era para os outros.”