Confraria da Cerveja lança campanha de apoio à indústria num ano “particularmente difícil”

No Dia Internacional da Cerveja, a Confraria da Cerveja propõe um brinde para apoiar uma indústria com quebras de quase 20% na primeira metade do ano.

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Francisco Romao Pereira

Produziu-se e bebeu-se menos. A indústria da cerveja em Portugal sentiu as consequências do confinamento e a primeira metade de 2020 trouxe uma redução de 19% no consumo interno, enquanto a produção caiu 15%.

E também o futuro é motivo de preocupação. Perante “os dados recentes da AHRESP que revelam intenção de insolvência em 43% das empresas de restauração e bebidas e 17% do alojamento turístico”, Rui Lopes Ferreira afirma que o sector “olha para o último trimestre do ano com bastante apreensão”.

Isto porque, explica o Grão-Mestre da Confraria da Cerveja ao PÚBLICO, “cerca de 70% do consumo de cerveja é feito através do canal Horeca”, ou seja, hotéis, restaurantes e cafés. Embora admita que nos primeiros seis meses do ano se tenha sentido um aumento de 16% nas vendas no canal alimentar, tal “não compensou de forma alguma” a retracção nas restantes vendas. O Grão-Mestre salienta o facto de 80 mil portugueses trabalharem de forma directa ou indirecta na indústria da cerveja.

É para tentar contrabalançar o “ano particularmente difícil” que a Confraria da Cerveja e a AHRESP lançam o movimento #VivaCerveja, que marca o Dia Internacional da Cerveja, celebrado esta sexta-feira. O objectivo é “desafiar todos os portugueses a partilhar um brinde à cerveja” no seu local preferido para degustar a bebida, “seja num café, esplanada, restaurante ou hotel”. E também há banda sonora através dos The Lucky Duckies. A banda portuguesa associou-se ao dia e lançou o tema “Viva a Cerveja”, não fosse também o vocalista Marco António um dos 650 Confrades da Cerveja no país.

Há mais de 100 micro cervejeiras em Portugal

Embora o típico “fino” ou “imperial” em Portugal continue a ser uma Lager, cerveja de baixa fermentação e com sabor característico de cereais e lúpulo, há cada vez mais adeptos de outros paladares.

“O paradigma está a mudar, fruto do que se está a criar em Portugal nos últimos anos e pela mudança nos consumidores, que estão mais experimentalistas e procuram à descoberta de novos sabores, experiências e diversidade”, conta Rui Lopes Ferreira.

Para isso contribuem as “mais de 100 micro cervejeiras espalhadas por 18 distritos de Portugal”. O Grão-Mestre da Confraria da Cerveja considera “notável” a “determinação destes pequenos e médios empresários que criam, todos os dias, novas experiências de consumo”, seja “no sabor, nos aromas ou nos momentos de consumo” daquela que é “a bebida alcoólica número um em Portugal”.

Ainda assim, “há um longo trabalho a desenvolver em matéria de serviço e carta de cervejas”, em Portugal, conclui.