Exportações recuperam em Junho mas continuam 17,1% abaixo de 2019

Grande quebra nas importações, sobretudo de produtos petrolíferos, alivia défice da balança comercial em mais de 1000 milhões de euros.

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Nuno Ferreira Santos (arquivo)

As vendas de bens de Portugal ao exterior voltaram a ganhar algum fôlego recuperando em Junho do enorme trambolhão de Maio, mas os dados do comércio internacional divulgados nesta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) não deixam margem para dúvidas sobre o enorme impacto do Grande Confinamento na economia portuguesa. Em Junho, as exportações recuaram 10,1%, em termos homólogos, fechando um segundo trimestre que, comparado com 2019, registou uma quebra de 30,6% nas vendas ao exterior. Assim, no total do primeiro semestre, as exportações ficam 17,6% abaixo do registo do ano passado.

Já seria de antever um duro golpe nos resultados do segundo trimestre, precisamente aquele em que o mundo esteve mais tempo fechado em casa. As estatísticas do INE agora confirmam-no, mostrando que Abril (-41%), Maio (-38,7%) e Junho (-10,1%) inverteram a tendência das exportações nacionais em 2019. Janeiro e Fevereiro tinham registado crescimentos ténues e os problemas começaram logo em Março (-13%), quando o país confinou e a OMS declarou a pandemia. Porém, o pior veio depois.

A quebra no comércio internacional foi geral, o que no caso português até permitiu reduzir o défice da balança comercial, dado que o recuo nas importações, em especial dos produtos petrolíferos, acabou por contribuir para melhorar o saldo em 1048 milhões de euros.

Em Junho, as importações caíram 23,1%, em termos homólogos. O segundo trimestre fechou assim com um recuo de 34,4% nas compras ao exterior completando uma primeira metade do ano que se salda num decréscimo de 19,7% face ao mesmo período de 2019.

Por categorias de produtos, a quebra na exportação de automóveis teve um dos contributos mais significativos para o desempenho geral, tanto em Junho como em todo o semestre. Para tal contribuiu, naturalmente, as paragens nas fábricas desse sector, como Autoeuropa, PSA Mangualde e Mitsubishi Fuso, entre Abril e Maio, e o choque da procura nos principais mercados europeus que são os maiores clientes das fábricas portuguesas.

Também os combustíveis tiveram quebras significativas, tanto em Junho como em todo o semestre.

Já por países de destino, Angola registou o maior decréscimo percentual em Junho (-34,9%), seguindo-se os Países Baixos, Itália e os Estados Unidos. Na variação semestral, porém, os mercados com maiores quedas são (por ordem decrescente) Itália, Estados Unidos, Reino Unido, Angola, Países Baixos e Espanha.

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