Adaptação do Ramal da Lousã a autocarros elétricos é consignada em Setembro

Os serviços de assessoria, fiscalização e coordenação de segurança em obra foram adjudicados por 1,4 milhões de euros.

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ADRIANO MIRANDA

A obra de adaptação do Ramal da Lousã à circulação de autocarros eléctricos, entre Alto de São João (Coimbra) e Serpins (Lousã), vai ser consignada em Setembro por 23,7 milhões de euros, anunciou na quinta-feira a Infra-estruturas de Portugal (IP).

Em comunicado, a IP informa que a empreitada de adaptação da infra-estrutura do troço suburbano do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) foi confiada ao consórcio Comsa/Fergrupo, após “obtenção do visto prévio” do Tribunal de Contas.

Com um prazo de execução 18 meses, os trabalhos incluem “reperfilamento da plataforma e pavimentação”, “desmatação e consolidação dos taludes”, “melhoramento do sistema de drenagem transversal e longitudinal” e “17 paragens de via dupla para cruzamento de veículos e plataformas de passageiros”.

Da obra, fazem ainda parte as seguintes intervenções: “quatro zonas específicas de cruzamento de veículos”, “cinco rotundas de inversão de marcha junto das estações términus”, “oito acessos de emergência ao canal para operações de socorro”, “três pontes e pontões com alargamento do perfil transversal”, “sete túneis com intervenção de pavimentação, iluminação e sistemas acessórios”, “24 intersecções rodoviárias e pedonais de nível a automatizar e sinalizar” e “seis intersecções desniveladas, cinco já existentes e uma a construir”, esta com desnivelamento da antiga estrada nacional 342, no lugar do Arneiro, concelho da Lousã.

Os serviços de assessoria, fiscalização e coordenação de segurança em obra foram adjudicados por 1,4 milhões de euros.

“Constituindo-se como o futuro sistema de mobilidade da região de Coimbra, mais seguro, rápido e confortável”, segundo a nota da IP, o SMM inclui a instalação de um metrobus com tracção eléctrica a baterias na antiga linha férrea da Lousã, entre Coimbra B e Serpins, e na área urbana da capital do distrito, ligando os municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.

Os contratos resultam de uma candidatura aos fundos da União Europeia, aprovada pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), designada “Sistema de Mobilidade do Mondego -- Aplicação de um Sistema Metrobus”, sendo o financiamento comunitário de 67,23%.

Entretanto, no dia 22 de Julho, a administração da Metro Mondego (MM) já tinha decidido adjudicar a obra de abertura do canal na Baixa de Coimbra, que ligará a margem direita do rio Mondego à rua da Sofia, também no âmbito do SMM.

A execução da chamada Linha do Hospital foi entregue por mais de 3,2 milhões de euros à empresa Veiga Lopes.

O empreendimento, que deverá ser realizado no prazo de 23 meses, prevê a reconstrução de vários imóveis e a construção do edifício-ponte na rua da Sofia, da autoria do arquitecto Gonçalo Byrne, para permitir a passagem dos autocarros eléctricos.

O Ramal da Lousã foi encerrado e desmantelado nas primeiras semanas de 2010, a fim de nele ser implantado um sistema de metro ligeiro de superfície, sobre carris.

Essa obra, que não foi candidatada aos apoios europeus, gerou contestação das populações durante mais de 15 anos, através de diferentes movimento de cidadãos criados na Lousã e em Miranda do Corvo, que no essencial convergiam na defesa da electrificação e modernização da ferrovia centenária.

Os trabalhos para o metro avançaram por decisão do último governo de José Sócrates, tendo começado ainda em Dezembro de 2009, logo após a realização das eleições autárquicas desse ano.

Passado algum tempo, as diversas empreitadas previstas foram interrompidas por alegadas dificuldades financeiras na sua concretização.

O início do processo que visava a substituição do comboio convencional por um veículo ferroviário ligeiro remonta pelo menos a 1994, quando o derradeiro governo de Cavaco Silva aprovou um diploma com esse fim.

Em Maio de 1996, o primeiro governo de António Guterres criou a sociedade Metro Mondego (MM), de capitais exclusivamente públicos e com a participação dos três municípios envolvidos.

Segundo diferentes estimativas, pelo menos 150 milhões de euros já foram gastos pelo Estado com obras no Ramal da Lousã, incluindo as interfaces às estações de Ceira, Miranda do Corvo, Lousã e Serpins, estando os utentes há mais de uma década privados do comboio, que tem sido substituído por transportes rodoviários alternativos.

Na versão de metrobus, é agora iniciada uma nova etapa do Sistema de Mobilidade do Mondego, um processo com mais de um quarto de século e cerca de 100 estudos e projectos efectuados, a maioria dos quais depois abandonados, passando por uma dezena de governos e sucessivas administrações da MM.

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