Instagram lança “Reels” para chamar fãs do TikTok

Tal como o TikTok, o Reels permite às pessoas criar pequenos vídeos — até quinze segundos — com música de fundo e efeitos especiais.

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O Instagram tem uma equipa de curadoria para destacar os Reels mais divertidos e "culturalmente relevantes" Instagram

Com o futuro do TikTok incerto nos EUA, o Facebook (dono do Instagram) está a tentar atrair novos utilizadores com uma ferramenta equivalente. Esta quarta-feira, a empresa anunciou o Instagram Reels em mais de 50 países, incluindo Portugal, EUA, e Reino Unido.

Tal como o TikTok, o Reels permite às pessoas criar pequenos vídeos — até quinze segundos — com música de fundo e efeitos especiais que podem ser partilhados directamente com amigos e seguidores. Quem tem contas públicas fica com as criações visíveis numa nova comunidade de “Reels” integrada no separador de Pesquisa. Horas depois do lançamento já era possível encontrar vários sketches de pessoas a tentar dançar, cozinhar, ou fazer exercício nos microvídeos do Instagram.

A ferramenta chega numa altura em que a rede social TikTok prepara-se para ser vendida à Microsoft para evitar ser proibida nos EUA. Em causa estão preocupações de cibersegurança em torno da empresa chinesa ByteDance, que é a dona da rede social.

O presidente executivo do TikTok, Kevin Mayer, acusa o Facebook de copiar a rede social, mas diz que não está preocupado. “O Facebook está a lançar outra cópia dos [nossos] produtos, o Reels (ligado ao Instagram), depois da outra copia, o Lasso, falhar”, escreveu Mayer numa publicação antes do lançamento oficial do Reels. “A todos aqueles que querem lançar produtos para competir connosco, força.”

Em 2018, o Facebook tentou lançar a ferramenta Lasso para os utilizadores nos EUA. Tal como o TikTok, e agora o Reels, o Lasso permitia criar vídeos com até 15 segundos ao ritmo de músicas populares. Foi descontinuada este ano.

Apesar daquela aplicação ter tido pouco sucesso, a sua utilização permitiu ao Facebook perceber quais os elementos da ferramenta que as pessoas mais gostavam e integrá-las no Reels que está a ser testado no Brasil desde Novembro de 2019 (na altura foi lançada com o nome de Cenas) e está disponível na Índiaque baniu o TikTok em Julho, desde o mês passado.

Reels tem equipa de curadoria

Em vez de um algoritmo misterioso escolher quais os Reels a destacar, como acontece no TikTok, a equipa do Instagram diz que a tarefa ficará a cargo de uma equipa de curadores. “A equipa de curadoria do Instagram é marcada pela diversidade, composta por pessoas de formações e conhecimentos diferentes, especializados em vídeo, jornalismo e curadoria”, nota a empresa na apresentação da ferramenta. O objectivo é destacar os Reels mais divertidos e “culturalmente relevantes”.

Nos últimos anos, o TikTok tem estado envolvido em algumas controvérsias por limitar vídeos de utilizadores LGBTQ+, com excesso de peso ou cicatrizes visíveis, e remover temporariamente um vídeo de uma adolescente americana que criticava o regime de Pequim.

O Instagram também destaca o facto da rede social ter acesso a uma grande biblioteca de música (fruto de acordos com grandes discográficas) o que permite aos utilizadores usarem excertos de músicas populares sem se preocuparem que estas sejam removidas.

A estratégia do Facebook com o Instagram não é única. Em 2016, a empresa lançou o Stories — que permite publicar imagens e vídeos durante 24 horas antes de desaparecerem e é uma das funcionalidades mais populares do site — em resposta à popularidade do Snapchat.

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