CTT perdem dois milhões de euros no primeiro semestre

Apesar da queda do correio tradicional, o negócio de encomendas registou um crescimento recorde no segundo trimestre devido ao maior recurso ao comércio electrónico em tempo de confinamento.

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PAULO PIMENTA

Os CTT registaram um prejuízo de dois milhões de euros no primeiro semestre, que compara com o lucro de nove milhões no mesmo período de 2019.

A empresa assinalou, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta terça-feira, que os rendimentos operacionais atingiram os 349,2 milhões de euros até Junho, com crescimentos em todas as áreas de negócio, exceptuando a de correio.

Os CTT dizem que actividade tradicional de correio foi muito afectada pelas medidas de confinamento, que quase paralisaram a actividade económica (as receitas do negócio de correios caíram 14%, para 203 milhões de euros), mas, em contrapartida, o negócio de correio expresso registou um crescimento recorde.

“No segundo trimestre de 2020 a área de Expresso e Encomendas registou o valor de crescimento mais alto de sempre e o maior EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] dos últimos cinco anos”, no montante de dois milhões de euros.

As receitas deste segmento aumentaram quase 17%, para 85 milhões de euros.

O EBITDA consolidado da empresa liderada por João Bento atingiu 33,4 milhões de euros no semestre, menos 28% face ao mesmo período de 2019.

A empresa refere ainda que os resultados foram afectados “pelo crescimento das imparidades e provisões para fazer face a perdas potenciais com a contracção económica prevista (+ 8,7 milhões de euros)” principalmente no Banco CTT e em particular no crédito automóvel. No segundo trimestre, o banco registou imparidades no valor de 5,8 milhões de euros.

O Banco CTT finalizou o semestre com rendimentos operacionais de 38,4 milhões de euros, um crescimento de 14,8 milhões de euros (ou 63%) face a igual período do ano anterior. Destes, 11,2 milhões de euros vieram da empresa de crédito automóvel 321 Crédito.

A empresa diz que o segmento de correio vai continuar a cair e que o negócio de “Expresso e Encomendas deverá manter-se como o principal motor de crescimento, impulsionado pela continuada progressão do comércio electrónico”.

Esta actividade deverá contribuir para “um crescimento nos rendimentos operacionais” no final do ano e um resultado operacional consolidado “de mais de 30 milhões de euros no exercício de 2020”.

A empresa refere ainda que a área de Serviços Financeiros beneficiará da “crescente tendência de poupança da população portuguesa, o que constitui um bom prognóstico para a colocação da dívida pública”.