Portugal com perdas acima de 2% do PIB devido à quebra no turismo

FMI defende que “os esforços de política devem continuar a focar-se em providenciar alívios e a promover a recuperação económica”.

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PAULO PIMENTA

Portugal está entre os países que deverão ter perdas no sector do turismo superiores a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) devido à pandemia de covid-19, de acordo com um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado esta terça-feira.

“As perdas nas receitas do turismo que ultrapassam os 2% do PIB devem concentrar-se em grandes exportadores de turismo, como a Costa Rica, Egipto, Grécia, Marrocos, Nova Zelândia, Portugal, Espanha, Sri Lanka, Tailândia e Turquia”, pode ler-se no relatório sobre o sector externo divulgado pelo FMI esta terça-feira.

Os dados relativos ao turismo foram analisados a partir de um estudo da Organização Internacional do Turismo, que “inclui um cenário envolvendo um levantamento gradual de restrições às viagens com início em Setembro”, que implica “receitas no turismo 73% abaixo dos níveis de 2019”.

“Para economias dependentes de sectores afectados [pela pandemia], como o petróleo e o turismo, ou dependentes de remessas, o impacto da crise foi especialmente agudo, com efeitos negativos na balança externa corrente a 2% do PIB que vão provavelmente necessitar de um ajustamento económico significativo”, alerta o FMI.

A nível mundial, a instituição liderada por Kristalina Georgieva assinala que haverá uma “redução modesta” nos défices e excedentes das balanças correntes, de 0,3% do PIB global, um valor sujeito a “grande incerteza”.

“A deterioração no sentimento dos mercados financeiros no início da crise espoletou uma súbita reversão dos fluxos de capital e depreciações de moeda em várias economias emergentes e em desenvolvimento”, ao passo que as reservas se valorizaram, “reflectindo o seu ‘porto seguro’ em tempos de crise”.

No curto prazo, o FMI defende que “os esforços de política devem continuar a focar-se em providenciar alívios e a promover a recuperação económica”, e para se ajustarem ao choque externo, os países com taxas de câmbio flexíveis devem “permitir que se ajustem quando necessário”.

“No médio prazo, as distorções políticas e económicas que precederam a crise podem persistir ou piorar, implicando a necessidade de reformas”, refere também a instituição sediada em Washington.

Nos casos em que o “excesso de défices na conta corrente em 2019 reflicta défices orçamentais maiores do que o desejável e onde esses desequilíbrios persistam depois da crise, a consolidação orçamental a médio prazo promoveria a sustentabilidade da dívida, reduziria a diferença na balança corrente e facilitaria a acumulação de reservas internacionais”, segundo o FMI.

“A perspectiva para as posições externas [dos países] permanece altamente incerta, com riscos significativos”, ressalva o fundo.

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