Filipinas “está a perder a batalha” contra a covid-19

Profissionais de saúde escrevem ao Presidente a pedir que volte a impor medidas de confinamento. Duterte disse que os apelos foram ouvidos, mas Governo está relutante em voltar a fechar a economia.

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Protesto de profissionais de saúde nas Filipinas Reuters/ELOISA LOPEZ

Médicos e enfermeiros das Filipinas escreveram uma carta ao Presidente filipino, Rodrigo Duterte, apelando ao Governo para que volte a impor medidas de confinamento para travar a nova vaga de infecções por covid-19, que estão a deixar os hospitais numa situação crítica.

Na carta ao chefe de Estado, 80 grupos que representam 80 mil médicos e um milhão de enfermeiros disseram que o país está a “perder a batalha que está a travar contra a covid-19”. “Os nossos profissionais de saúde estão exaustos com a quantidade sem fim de pacientes a chegar aos nossos hospitais em estado de emergência e de internamento”, afirmam.

Médicos, enfermeiros e outros funcionários hospitalares dizem ser necessária a aplicação de confinamento obrigatório para a capital Manila e para as províncias do sul do país até meados de Agosto. Na semana passada, profissionais de saúde juntaram-se em Manila para um protesto contra o Governo, antes do discurso do estado da nação de Duterte.

Este sábado, as Filipinas registaram 4963 novos casos de infecção – o número mais elevado em apenas 24 horas. Mais de metade foram identificados em Manila.

Duterte respondeu ao apelo dos profissionais de saúde, garantindo que “as suas vozes foram ouvidas”. De acordo com o gabinete do chefe de Estado, foram dadas ordens à equipa de trabalho encarregada de gerir a pandemia para que fossem tomadas providências, mas não foi esclarecido que tipo de medidas serão adoptadas.

Há muita relutância por parte do Governo em regressar ao confinamento, depois de em Março ter sido imposto um regime de quarentena muito rígido, que foi apenas levantado a meio de Junho. Desde que as medidas foram suavizadas, o número de infecções quintuplicou.

O secretário do Comércio, Ramon Lopez, foi o porta-voz destas preocupações ao dizer que a capital e as províncias mais próximas não estão em condições de voltar a impor o confinamento e aconselhou os cidadãos a “viver com o vírus, que está aqui para ficar”. O Governo, disse Lopez, citado pela Reuters, está a tentar respeitar “um equilíbrio delicado entre a saúde pública e a saúde económica da nação”.

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