Vaca maronesa é a “melhor carne do mundo”, segundo uma competição - oficiosa - internacional

Segundo o Agrupamento de Produtores de Carne Maronesa, o resultado da competição trouxe um interesse acrescido ao produto, que tem recebido um número de pedidos superior ao normal.

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Paulo Pimenta

A vaca maronesa ganhou na semana passada uma competição - oficiosa, como os próprios admitem - em Espanha que procurava “a melhor carne do mundo” entre 13 raças diferentes, segundo a publicação de gastronomia galega Boísimo. A raça do Marão e Alvão era a única representante nacional mas competia com a comum Holstein-Frison (a das malhas pretas), a Angus ou a dispendiosa Wagyu, do Japão. O projecto, o Fisterra Bovine World, criou durante 24 meses as várias raças autóctones, assegurando que os animais tinham a máxima pureza e idade semelhante, num quinta galega onde comeram exactamente o mesmo: milho e pastos litorais. 

O projecto, uma ideia de dois sócios da Discarlux, uma empresa de distribuição de carne madrilena, promove o método galego de criação de bovinos e pretendia, não só conhecer melhor as suas potencialidades, como homenageá-lo. De todo o mundo chegaram raças com diferentes morfologias, incluindo da própria Galiza. E ao fim de dois anos, uma sobressaiu: a nossa maronesa. Note-se que Portugal tem mais 14 raças autóctones, sendo que uma delas - a Cachena - estava também em competição, mas representando igualmente a Galiza, onde tem bastante expressão.

"A nossa carne é uma das melhores no panorama nacional mas foi muito bom termos este reconhecimento a nível mundial”, diz o Agrupamento de Produtores de Carne Maronesa. Por causa deste, têm recebido um número de pedidos de entrega superior ao normal, o que permite “valorizar a nossa carne ao máximo e os nossos produtores”, asseguram.

A vaca maronesa é uma raça autóctone criada em zonas montanhosas, nas serras do Alvão e Marão, que lhe deu o nome. Por causa da pandemia, os produtores registaram quebras de 95% nas vendas deste ano devido à crise pandémica.

Recentemente, foram um dos que saíram em defesa das raças nacionais ao reagirem à decisão da Universidade de Coimbra (UC) de retirar a carne de vaca das suas cantinas em Setembro do ano passado, alegando que a criação bovina era prejudicial ao ambiente devido ao metano libertado no processo de criação. A medida, tomada com o objectivo de tornar até 2030 a UC na primeira universidade portuguesa neutra em carbono, foi criticada pela Terra Maronesa, uma organização dedicada à promoção do animal e da região. O organismo defendeu que “os criadores de gado maronês estão a desenvolver um sistema inovador, alternativo, de produção animal amigo do ambiente, assente na maximização do bem-estar animal” e que “a maior parte dos alimentos animais é gerado no monte ou nos lameiros, um habitat Rede Natura 2000”. A organização acusou a UC de “desinformação para a opinião pública com consequências ecológicas e económicas potencialmente perversas”. E sugeriu que a universidade servisse apenas carne das raças autóctones, criadas em regime extensivo, em nome também da defesa do interior do país.

A competição entre as 13 raças na Galiza desenvolveu-se numa quinta em Trasmonte. A região foi escolhida pela sua cultura e características próprias na criação de gado. O processo de eleição teve em conta aspectos diversos, como o aspecto da carne, o sabor e uma análise física e química do produto.

A etapa seguinte do projecto consistirá no aprimoramento das cinco melhores raças, através de medidas como mudanças na alimentação, durante os próximos dois anos, até finais de 2022. Segundo a publicação Boísimo, “alguns restaurantes já estão a reservar os cortes do próximo período de cria em Trasmonte”. 

Texto editado por Ana Fernandes

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