Caso Epstein: tribunal torna públicos documentos de Ghislaine Maxwell, incluindo e-mails

Mais de 80 documentos foram divulgados apesar da socialite os ter tentado manter sob sigilo. A divulgação de dois depoimentos ainda está por decidir pelo tribunal – vão permanecer selados, pelo menos até segunda-feira.

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Ghislaine Maxwell é filha de Robert Maxwell, um falecido magnata da imprensa britânica Reuters/REUTERS TV

Documentos relativos a Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein foram divulgados publicamente na quinta-feira por um tribunal dos Estados Unidos, onde a socialite britânica foi acusada de ter ajudado o falecido financeiro a abusar sexualmente de raparigas com idades a começar nos 14 anos.

Os mais de 80 documentos divulgados incluem registos de voos dos jactos privados de Epstein e relatórios da polícia de Palm Beach, Florida, onde o financeiro tinha uma casa.

Entre os materiais divulgados encontram-se e-mails trocados pela dupla no início de 2015, incluindo uma mensagem em que Epstein (identificado como “jeffrey E") escreve a Maxwell (identificada como “Gmax” ou “G Maxwell") que esta “não tinha feito nada de errado” e que começasse a “agir como tal”. “Vai lá fora, de cabeça erguida – não como um condenado num escândalo. Vai às festas. Lida com isto”, escreveu o financeiro a 25 de Janeiro de 2015.

O e-mail foi enviado um dia depois de Maxwell dizer a Epstein que gostaria que uma outra mulher, apenas identificada por um nome, admitisse que tinha sido namorada do financeiro, de “1999 até final de 2002”.

A juíza distrital norte-americana Loretta Preska tinha ordenado a libertação dos documentos até quinta-feira, dizendo que o direito do público de vê-los era superior aos interesses de Maxwell os manter sob sigilo. No entanto, dois depoimentos permanecem selados depois de Maxwell ter apresentado uma moção de emergência ao tribunal federal de recurso em Manhattan, na quinta-feira anterior, para impedir a divulgação dos mesmos. Como o tribunal ainda não tomou uma decisão, os depoimentos permanecerão selados pelo menos até segunda-feira.

Os documentos divulgados na quinta-feira e os depoimentos que permanecem sob sigilo faziam parte de um processo por difamação civil de 2015 contra Maxwell interposto por Virginia Giuffre, que disse ser menor de idade quando Epstein a manteve como “escrava sexual” com a ajuda de Maxwell. 

​Segundo os advogados de Maxwell, num desses depoimentos, apresentado em Abril de 2016, foram feitas a Maxwell perguntas “intrusivas” sobre a sua vida sexual, e que a sua divulgação poderia tornar “difícil, se não impossível” obter um julgamento justo. “Assim que o depoimento saia do tribunal, nunca mais vai ser esquecido”, escreveu a defesa da socialiterealçando o recente indeferimento de outro juiz em impedir a publicação das memórias do antigo Conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, porque já tinham sido distribuídas cópias. Nem os advogados de Maxwell, nem de Giuffre responderam imediatamente aos pedidos de comentários após a decisão do tribunal.

O segundo é um depoimento de um acusador não designado por Epstein.

Maxwell, de 58 anos, declarou-se inocente face as acusações de ter ajudado Epstein a recrutar e eventualmente abusar de três raparigas entre 1994 e 1997, e de cometer perjúrio ao negar o seu envolvimento sob juramento. Foi presa a 2 de Julho numa casa em New Hampshire, onde os procuradores disseram que estava escondida. Depois de lhe ter sido negada a fiança, está detida numa prisão de Brooklyn, uma vez que o juiz que supervisiona o seu caso considerou que existe risco de fuga.

No pedido de fiança, os advogados afirmaram que os meios de comunicação social tinham mudado o seu foco para Maxwell após a morte do financeiro, “tentando injustamente substituí-la por Epstein – embora ela “não tivesse tido contacto durante mais de uma década”, nunca tivesse sido acusada de um crime ou considerada responsável num litígio civil, e tivesse sempre negado alegações de má conduta.

Jeffrey Epstein foi encontrado enforcado em Agosto de 2019, aos 66 anos de idade, na prisão de Manhattan, onde aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual e abuso de mulheres e raparigas, em Manhattan e na Florida, de 2002 a 2005. Tinha-se declarado inocente.

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