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StayAway Covid empurrada para Agosto. Falta aprovação da Apple, formação do SNS24 e preparar divulgação

Falta garantir que o SNS24 está pronto para responder a todas as perguntas sobre a aplicação, bem como esclarecer o motivo da Google pedir acesso à localização do dispositivo quando diz que não a usa.

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A aplicação só será lançada em Agosto valentyn ogirenko/reuters

A StayAway Covid já não vai chegar aos telemóveis dos portugueses antes de Agosto. Apesar de a aplicação portuguesa de rastreio de contactos de covid-19 estar pronta há meses, com um piloto em curso nos telemóveis com o sistema operativo Android (da Google), ainda falta a Apple autorizar a aplicação na loja online e garantir que o SNS24 está pronto para responder a todas as perguntas sobre a aplicação.

Existe ainda uma dúvida relacionada com a versão Android da aplicação, que pede aos utilizadores que activem os “serviços de localização” do telemóvel — embora, diz a Google, estes não sejam usados pela aplicação. 

 “Não vamos conseguir cumprir a meta de lançar a app até ao final de Julho”, confirma ao PÚBLICO José Manuel Mendonça, presidente do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), que coordena o desenvolvimento da aplicação. “Espero que esteja tudo pronto para arrancar na próxima quarta-feira”, avança, “mas é fundamental garantir que os profissionais do SNS24 sabem o que dizer quando alguém lhes liga preocupado, por exemplo, porque receberam um alerta amarelo na aplicação ou porque o telemóvel lhes pede acesso à localização.”

O objectivo da StayAway Covid é que pessoas que sejam diagnosticadas com covid-19, e usem a aplicação, possam alertar as pessoas com quem estiveram em contacto próximo (menos de dois metros durante mais de 15 minutos). A página inicial da app tem uma cor verde, mas muda para o estado amarelo sempre que alguém “esteve próximo de alguém a quem foi diagnosticada covid-19”. 

Mendonça acredita que “falta pouco” para a aplicação estar disponível para todos. “O piloto para Android tem corrido muito bem”, nota o presidente do INESC TEC.

Versão para Android pede localização

Há cerca de uma semana que os participantes do inquérito online Diários de uma Pandemia,estão a ser convidados para testar uma versão inicial da aplicação que ainda não está ligada ao servidor dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. O objectivo é perceber se há dúvidas sobre o uso. Uma das questões que pode suscitar dúvidas é que, apesar a aplicação dizer que não usa a localização do dispositivo, os telemóveis Android (sistema operativo da Google) pedem para a localização do telemóvel estar activa.

É algo que o INESC TEC espera ver corrigido. “Nos ‘termos e condições’ [da app StayAway Covid] é dito ‘a aplicação não rastreia a localização do utilizador nem usa serviços de geolocalização’. Mas em Android, a aplicação solicita que os ‘Serviços de Localização’ sejam ligados”, admite ao PÚBLICO Rui Oliveira, que coordenada o projecto do INESC TEC, em parceria com o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e as startups Keyruptive e Ubirider (na área de cibersegurança e planeamento de viagens, respectivamente).

“Com outros responsáveis do desenvolvimento de aplicações similares europeias, temos vindo a questionar a Google e a solicitar a correcção do sistema operativo”, sublinha Oliveira.

A  StayAway Covid optou por usar a nova interface de programação de aplicações (API) da Google e da Apple (reservada a autoridades de saúde pública e governos) porque esta foi criada para garantir que os telemóveis a usar aplicações de rastreio são compatíveis entre si, não gastam muita bateria e não enviam dados para servidores centrais.

“O sistema de notificação de exposição não utiliza a localização do dispositivo Android e não partilha nenhuma informação do utilizador com a Google”, frisa um porta-voz do Google, em resposta a questões do PÚBLICO. “Por uma questão de transparência com os utilizadores, desde 2015, que o Android requer que a definição de localização do dispositivo Android esteja activa para procurar outros dispositivos Bluetooth já que algumas aplicações podem usar o Bluetooth para determinar a localização do utilizador.” É por este motivo que é pedido aos utilizadores para activarem a localização do dispositivo Android. “Porém, quando um utilizador activa a localização, o Android continua a proibir o acesso a quaisquer aplicações, incluindo as apps da Google, que não tenham permissão para utilizar a localização do dispositivo”, conclui o porta-voz.

Contactada pelo PÚBLICO sobre a demora a aprovar a aplicação StayAway Covid,  Silvia Martín-Prat, da equipa de relações públicas da Apple, nota que o processo “é diferente para cada aplicação” e remete para uma página da Apple que resume os esforços da empresa em garantir “a credibilidade da informação sobre saúde e segurança” nas aplicações que usam a nova API.

“Estamos a avaliar as aplicações que forma crítica para garantir que as fontes dos dados são reputáveis e que os criadores das aplicações são apoiados por entidades reconhecidas”, lê-se na página da Apple.

“O processo para obter a aprovação da Apple foi mais formal do que com o Google”, admite José Manuel Mendonça. Apesar dos atrasos, o presidente do INESC TEC continua confiante que a aplicação chegue em breve às lojas de aplicações oficiais da Google e da Apple. “No piloto com Android, poucas pessoas têm perguntado sobre o facto de terem de ‘activar a localização’ nos telemóveis, porque a própria app clarifica que as notificações de exposição à covid-19 não usam a localização do dispositivo. O piloto com a Apple deve ser rápido”, continua. “Agora só depende do primeiro-ministro. Nós estamos prontos.”

Correcção: A equipa do INESC TEC diz que a app StayAway Covid já não será lançada em Julho.

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