Torne-se perito

Candidatos pró-democracia, incluindo Joshua Wong, excluídos das eleições em Hong Kong

Governo nega estar a limitar liberdades na região, mas admite invalidar mais candidaturas. Joshua Wong denuncia “total desrespeito pelo vontade dos cidadãos de Hong Kong”.

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Joshua Wong, ao lado da activista Tiffany Yuen, durante as primárias não-oficiais, no dia 11 de Julho TYRONE SIU/Reuters

Pelo menos 12 candidatos da oposição, incluindo Joshua Wong, foram proibidos de concorrer às eleições legislativas em Hong Kong, marcadas para Setembro mas que podem ser adiadas.

O anúncio foi feito pelo governo da região administrativa chinesa, que invocou a Lei Básica (constituição) da região para justificar a sua decisão. O executivo não descarta “a possibilidade de mais candidaturas serem invalidadas”.

Há cerca de duas semanas, mais de 600 mil cidadãos de Hong Kong desafiaram as autoridades e participaram em primárias não-oficiais para escolherem os candidatos do campo pró-democracias às eleições para o LegCo (Conselho Legislativo), apesar de o executivo liderado por Carrie Lam ter avisado que esta iniciativa cidadã poderia violar a lei de segurança nacional imposta por Pequim no final de Junho.

Um dos eleitos nas primárias foi o activista Joshua Wong, um dos rostos da “Revolução dos Guarda-Chuvas” em 2014 e uma das principais figuras do movimento pró-democracia. Agora, juntamente com outros activistas como Lester Shum, Alvin Yeung ou Dennis Kwow, foi impedido de concorrer às legislativas.

“Fui desqualificado das eleições para o LegCo em Hong Kong, apesar de ter sido o candidato mais votado nas primárias, com mais de 30 mil votos”, anunciou Wong no Twitter, revelando que a lei de segurança nacional foi invocada para o afastar das eleições.

“Pequim mostra um total desrespeito pelo vontade dos cidadãos de Hong Kong, atropela o último pilar da autonomia da cidade que está a desaparecer e tenta manter a legislatura de Hong Kong sob o seu controlo firme”, lamentou o activista.

O governo do antigo território britânico, por seu lado, nega que ao desqualificar 12 candidatos do campo pró-democracia esteja a censurar candidatos ou a limitar a liberdade de expressão.

“Não há qualquer questão de censura política, restrição da liberdade de expressão ou privação do direito de concorrer a eleições, como alguns membros da comunidade têm alegado”, afirmou o governo de Carrie Lam em comunicado, citado pela BBC.

O afastamento dos candidatos pró-democracia surge numa altura em que a realização das próprias legislativas está em causa. O executivo da região chinesa está a ponderar adiar as eleições devido ao aumento de casos de infecções de SARS-CoV-2 na região. Carrie Lam invoca uma situação epidemiológica grave, com um “surto comunitário em larga escala” que pode levar ao “colapso” dos hospitais.

Nas últimas 24 horas, Hong Kong registou mais 149 pessoas infectadas com o novo coronavírus. A decisão quanto ao possível adiamento das eleições deverá ser anunciada em breve, uma vez que o prazo para a apresentação de candidaturas termina na sexta-feira.

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