Americanos acusam hackers chineses de piratear servidores do Vaticano

Nos últimos dois anos o Vaticano e a China colaboraram, o que tem permitido à Igreja Católica desenvolver a sua actividade em Hong Kong.

mundo,ciberseguranca,pirataria-informatica,china,hong-kong,vaticano,
Foto
Hackers terão tentado interceptar comunicações entre representantes do Papa Francisco e a diocese de Hong Kong Reuters/VATICAN MEDIA

Uma agência de cibersegurança americana acusou esta quarta-feira hackers ligados ao Governo chinês de tentarem piratear os servidores do Vaticano e da Igreja Católica Romana em Hong Kong. Segundo os americanos, os ataques informáticos terão ocorrido em Maio.

As acusações surgem antes de responsáveis do Vaticano e da China se encontrarem para renovar um acordo de 2018 que estabilizou as relações entre os chineses e a Igreja.

Num relatório apresentado pela firma de cibersegurança Recorded Future, é referido que os ataques dos hackers chineses procuraram piratear comunicações entre a diocese de Hong Kong e o Vaticano, apontando especificamente para o líder do Estudo da Missão de Honk Kong, considerado como o representante do Papa Francisco na China.

Segundo o New York Times, o ataque faz parte de uma estratégia política por parte do Partido Comunista Chinês de tentar controlar as comunicações e promoção de grupos religiosos, como os uigures muçulmanos ou os budistas do Tibete, com receio de que os grupos religiosos possam minar o controlo do Governo central. A China reconhece apenas cinco religiões, incluindo o Catolicismo.

A Recorded Future diz que a forma como o ataque foi conduzido por uma empresa chamada RedDelta e as ferramentas utilizadas são características de piratas informáticos ao serviço de Pequim, mas a China desmentiu qualquer ataque. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse esta quarta-feira numa conferência de imprensa que a China é uma “defensora convicta” da cibersegurança e afirmou que são necessárias provas para investigar estes incidentes.

Os chineses repudiaram as acusações e garantiram que eram vítimas destas ameaças. Do lado do Vaticano e da diocese de Hong Kong, não houve comentários.

Segundo os americanos, o ataque surge depois de um raro encontro na Alemanha entre a China e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Vaticano, o primeiro encontro entre oficiais dos dois países em várias décadas. Desde então, as relações entre os chineses e a Igreja Católica têm melhorado e espera-se que um novo encontro seja marcado para Setembro, para renovar um acordo que permite a operação da Igreja Católica na China.

Segundo o acordo de 2018, Pequim tem o poder de nomear bispos para as igrejas oficiais mas a palavra final de aprovação é do Papa.

Entretanto, a pandemia travou as conversações e uma possível viagem de representantes da China ao Vaticano foi suspensa, revelou uma fonte do Vaticano à agência Reuters. A pandemia da covid-19 também deixou no ar uma possível extensão automática do acordo.

Sugerir correcção