Sem layoff simplificado, maioria das empresas teria cortado postos de trabalho

Inquérito do INE e do Banco de Portugal às empresas no contexto da crise de covid-19 evidencia recuperação da actividade e da situação da liquidez. Mas 77% das inquiridas teriam despedido sem o mecanismo simplificado de layoff

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Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Mais de três quartos das empresas que recorreram ao layoff simplificado e responderam ao último Inquérito Rápido e Excepcional às Empresas – Covid-19, do INE e do Banco de Portugal, teriam despedido trabalhadores se não fosse o mecanismo criado em contexto de crise pandémica.

Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira, 29 de Julho, quando questionadas as empresas que beneficiaram do layoff simplificado sobre “quanto teria variado o emprego na ausência de recurso à medida”,  77% das companhias “teriam diminuído o número de pessoas empregadas desde o início da pandemia na ausência do recurso ao layoff, o que compara com 30% das empresas que reportaram redução efectiva do emprego nesse  período”.

Neste inquérito, cujas conclusões estão a ser divulgadas na última semana de vigência do layoff simplificado (sem renovações), “quando questionadas sobre as opções relativas às novas medidas de apoio ao emprego, 38% das empresas pretendem recorrer ao incentivo extraordinário à normalização da actividade na sequência do termo do layoff simplificado em Agosto, enquanto 30% deverão optar por manter o recurso ao layoff simplificado [renovando pedidos já aceites] ou recorrer ao apoio à retoma progressiva”.

A partir de 1 de Agosto, este sábado, só continuarão em layoff simplificado as empresas que ainda não foram autorizadas a reabrir e a retomar actividade e as que, tendo pedido acesso até 30 de Junho, ainda não tenham esgotado os três meses de vigência.

De notar que o inquérito hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo BdP se refere à primeira quinzena de Julho e agrega “respostas válidas até ao final do da 26 de Julho”. Não questiona, portanto, as empresas sobre a medida adicional anunciada pela ministra do trabalho, Ana Mendes Godinho, na passada segunda-feira, 27 de Julho.

“Para as empresas que têm uma quebra de facturação igual ou superior a 75% da facturação, cria-se um apoio excepcional para ajudar as empresas que, nesta fase da retoma em que não há uma evolução tão positiva, para que possam ter um apoio em que a Segurança Social também comparticipará em 35% o período relativo às horas trabalhadas”, disse a ministra no após o Conselho de Ministros extraordinário que aprovou o diploma por via electrónica no início desta semana.

Até a primeira quinzena deste mês, 17% das empresas referiram ter já “reduzido o número de postos de trabalho desde o início da pandemia”. Uma fatia de 76% do universo empresarial inquirido “não registou”, contudo, “qualquer impacto no total de pessoas empregadas”. E a “larga maioria de empresas (83%) planeia manter os postos de trabalho até ao final do ano”.

Na primeira quinzena de Julho, 24% das empresas registaram “uma redução do pessoal ao serviço efectivamente a trabalhar face à situação expectável sem pandemia”, uma redução de 12 pontos percentuais à expectativa demonstrada na última quinzena de Junho.  

Turismo pior

Pior, também aqui, este a previsão das empresas que operam em áreas directamente ligadas ao turismo, como o alojamento e a restauração, actividades em que mais sociedades inquiridas “referiram uma redução no pessoal ao serviço na primeira quinzena de Julho (58%, menos 6 p.p. que na quinzena anterior”.

Na maior pare dos temas, as actividades associadas ao turismo destoam. Assim, se no geral 99% das empresas estavam já em funcionamento nas primeiras duas semanas de Julho, esse indicador baixa para 93% no alojamento e restauração.

No volume de negócios, e face à situação expectável sem pandemia, no geral “58% das empresas reportaram uma redução do volume de negócios na primeira quinzena de Julho, o que é uma melhoria face aos 66% nas últimas duas semanas de Junho e aos 80% de Abril. Mas foi nos sectores de alojamento e restauração e de transportes e armazenagem que a percentagem de respostas afirmativas à redução de facturação assumiu maior expressão, com 88% das empresas.

Os dados agora divulgados pelo INE e BdP indicam ainda que “a percentagem de empresas com reduções no volume de negócios superiores a 75% manteve-se mais elevada no alojamento e restauração (23%), embora 15 p.p. abaixo do observado na quinzena anterior”.

É por isso compreensível que sector do alojamento e restauração se tenha destacado “pela proporção mais elevada de empresas que já recorreram às medidas” do Governo, criadas para apoiar as empresas a enfrentar a crise surgida pela interrupção quase total da actividade económica: 85% no layoff simplificado, 65% na suspensão do pagamento de obrigações fiscais e contributivas, 53% na moratória e 56% no acesso a novos créditos.

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